
As forças norte-americanas lançaram na quinta-feira vários ataques aéreos contra instalações militares não especificadas na Síria, segundo informou o Pentágono, alegando que a operação foi uma resposta aos recentes ataques contra postos avançados americanos (ilegais) por grupos armados alegadamente “afiliados” ao Irão.
Consistente com a inversão da semântica constantemente utilizada pelo regime Biden, o Secretário de Defesa, Lloyd Austin, disse que os ataques constituíram uma acção de ” legítima defesa”, e atingiram “duas instalações no leste da Síria utilizadas pelo Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irão (IRGC)” e grupos relacionados, mas sublinhou que não estavam relacionados com os combates em curso entre Israel e militantes palestinianos.
“Estes ataques de legítima defesa, de âmbito restrito, destinaram-se exclusivamente a proteger e defender o pessoal dos EUA no Iraque e na Síria e são separados e distintos da situação na Faixa de Gaza.”
— ContraCultura (@Conta_do_Contra) October 27, 2023
Os EUA bombardeiam um país que lhes é praticamente antípoda, que nunca atacou o seu território e onde têm tropas estacionadas à revelia do direito internacional, da ONU e do bom senso, e Lloyd Austin tem o desplante de falar em legítima defesa. Que cara podre. Além disso, quem é que no seu perfeito juízo acredita que esta acção não está relacionada com as actuais tensões no Médio Oriente e que não se destina, essencialmente, a intimidar o Irão?
Em cada frase proferida por qualquer funcionário do regime Biden podemos sempre identificar mais que uma mentira. A capacidade que esta gente tem para compactar aldrabices nunca deixa de impressionar.
Aliás, o chefe do Pentágono acabou por declarar, descansando o argumento do Contra, que Washington “não procura o conflito”, mas que responderá aos “ataques apoiados pelo Irão contra as forças americanas”, prometendo tomar “outras medidas necessárias para proteger o nosso povo”.
Como é que se protege o povo americano atacando a Síria? Austin não explicou.
Actualmente, cerca de 1.000 soldados norte-americanos estão destacados na Síria, ocupando campos de petróleo importantes e passagens estratégicas do rio Eufrates com o apoio de uma milícia liderada pelos curdos. O governo de Damasco tem protestado repetidamente contra o facto dessa presença violar o direito internacional.
O anúncio foi feito na quinta-feira à noite, poucas horas depois de as forças armadas norte-americanas terem afirmado que iriam enviar mais 900 soldados para o Médio Oriente, a fim de reforçar as suas “capacidades de protecção das forças”. Mais uma vez, um eufemismo. Este destacamento não tem nada a ver com protecção seja de quem for. Tem tudo a ver com uma filosofia agressiva de quem acha que é polícia – e presidente da junta, e patrão, e inquisidor – do mundo.
É verdade que as forças americanas têm sido alvo de ataques, no Iraque e na Síria, nas últimas semanas. Mais recentemente, foram visadas no Iraque, na quinta-feira, mas, segundo as autoridades, o ataque falhou. Desde 17 de Outubro, as tropas yankees foram alvo de um total de 16 ataques, de acordo com o Comando Central dos EUA. Mas é um facto que isso se deve, em muito, à retórica belicista do regime Biden, ao apoio cego – político e material – que tem prestado a Israel, e à sua presença militar, que não tem justificação moral ou legal, nesta zona do globo.
Washington também enviou meios navais para o Médio Oriente, em reacção à explosão das tensões regionais que resultaram do ataque do Hamas a Israel, incluindo duas esquadras de porta-aviões e um navio de assalto anfíbio que transporta 2.000 marines.
As autoridades afirmaram que os destacamentos se destinam a dissuadir Teerão e os grupos de milícias de participarem nos combates ou de fomentarem uma guerra mais vasta, e Austin insistiu que os ataques na Síria não marcam uma “mudança na nossa abordagem ao conflito Israel-Hamas”.
Por uma vez, está a dizer a verdade: os destacamentos só reforçam essa catastrófica abordagem.
Em Fevereiro de 2001, logo depois de ter acampado na Casa Branca, Joe Biden deu ordem para renovados bombardeamentos na Síria, que Donald Trump tinha interrompido. Também devem ter sido em “legítima defesa”.
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