
Os israelitas interrogam-se sobre se a decisão do Presidente Joe Biden de enviar dois porta-aviões para o Mediterrâneo Oriental se destina a dissuadir os terroristas do Hezbollah, apoiados pelo Irão, de atacarem Israel a partir do Líbano – ou a dissuadir Israel de atacar primeiro.
As tensões estão num ponto quase insustentável ao longo da fronteira de Israel com o Líbano. Há meses que o Hezbollah viola a Resolução 1701 da ONU – que pôs fim à última ronda de conflitos em 2006 – patrulhando a vedação ao longo da fronteira, a sul do rio Litani, na zona desmilitarizada.
Desde que o Hamas lançou o seu ataque terrorista a partir de Gaza, a 7 de Outubro, o Hezbollah tem disparado mísseis anti-tanque contra postos israelitas e cidades civis, causando um número diário de baixas e obrigando Israel a evacuar cidades perto da fronteira norte, por precaução.
Israel preferiria concentrar-se na luta contra o Hamas em Gaza, mas os constantes ataques do Líbano – e tentativas de infiltração terrorista – dividem as forças e o foco do seu comando militar. Até agora, Israel tem-se limitado a devolver o fogo quando é atacado.
Há um sentimento crescente em Israel de que a contenção dos militares na fronteira libanesa – e o aparente atraso no lançamento de uma invasão terrestre de Gaza – são o resultado da pressão dos EUA, especialmente depois da Casa Branca ter enviado mensagens contraditórias na sexta-feira.
Biden respondeu “sim” quando um repórter lhe perguntou se Israel deveria adiar a sua previsível ofensiva terrestre de forma a permitir a libertação de mais reféns, depois de dois americanos, dos 203 cativos do Hamas, terem sido libertados na sexta-feira. Como é frequente sempre que o decrépito inquilino da Casa Branca abre a boca sobre questões mais complexas, a Casa Branca teve que dar o dito por não dito, afirmando mais tarde que o velhinho não ouviu bem a pergunta.
Os EUA enviaram dois porta-aviões – o U.S.S. Eisenhower e o U.S.S. Ford – para o Mediterrâneo oriental, e o próprio Biden alertou o Hezbollah para as consequências da abertura de uma segunda frente a norte de Israel, sem mencionar explicitamente o Irão.
Mas à luz das crescentes pressões internacionais para que as forças armadas israelitas não invadam Gaza, dada a preocupação com os civis palestinianos, há em Tel Aviv quem se pergunte se a administração Biden está a tentar usar os porta-aviões de forma a complicar os esforços israelitas para responder ao Hezbollah.
A política dos EUA em relação ao Líbano é controversa em Israel. Tanto a administração Trump como a administração Biden enviaram ajuda ao Líbano, sem garantias de que não seria explorada pelo governo controlado pelo Hezbollah. A administração Biden também pressionou Israel a assinar um acordo que atribuía valiosas reservas de gás natural offshore ao Líbano, com o argumento de que o Hezbollah seria menos suscetível de atacar Israel se com isso perdesse dinheiro. Na altura, os críticos denunciaram o acordo como uma rendição às ameaças terroristas.
Dado este cenário, e com o Hezbollah a insistir no lançamento de rockets sobre Israel, ganha força a ideia que o governo americano, em vez de tentar proteger Israel e impedir o Irão de intensificar o conflito, está a tentar salvar a sua própria política falhada para o Líbano.
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