O economista austríaco, e personalidade alucinada das redes sociais, Gunther Fehlinger, apelou às forças da NATO para “bombardearem Belgrado agora”, depois de agentes de segurança do Kosovo se terem envolvido num tiroteio com assaltantes não identificados perto da fronteira com a Sérvia.
A polícia do Kosovo disse que tinha matado três homens e detido outros seis durante um tiroteio num mosteiro na aldeia de Banjska, em Setembro. Segundo a polícia, os homens armados chegaram à aldeia de madrugada e bloquearam uma ponte com camiões sem identificação, antes de dispararem contra pelo menos dois agentes, um dos quais morreu devido aos ferimentos.
Fehlinger, que se descreve nas redes sociais como “Fundador do Comité Europeu para o Alargamento da NATO para o Kosovo, Ucrânia, Arménia, Áustria e Moldávia”, acusou Belgrado e Moscovo de orquestrarem o incidente. O tresloucado economista escreveu no Twitter/X:
“A guerra sérvia contra o Kosovo começou em Banjska. Como avisei durante todo o ano, a Rússia e a Sérvia querem uma Frente do Sul – e agora ela existe!. Apelo à NATO para preparar uma intervenção contra a Sérvia imediatamente. Bombardeiem Belgrado agora!”
Serb war against Kosovo 🇽🇰 has started in #Banjska
As I warned all year
Russia and Serbia want Southern Front – now it is there!
I call NATO to prepare intervention against Serbia 🇷🇸 immediately
Bomb 💣 Belgrade now! pic.twitter.com/ESz9M5kHkK— Gunther Fehlinger (@GunterFehlinger) September 24, 2023
Fehlinger é bem conhecido na Internet por declarações obscenas e incendiárias deste tipo, incluindo os seus apelos ao desmantelamento de nações inteiras que se opõem à expansão da NATO ou que continuam a negociar com a Rússia. Embora seja um economista qualificado e tenha trabalhado com várias organizações que promovem o alargamento da UE e da NATO, muitos críticos consideram-no um troll e um provocador. É dizer pouco.
Ainda assim, a avaliação insana de Fehlinger sobre a situação em Banjska foi partilhada pelo primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti. Alegando que os agressores tinham supostamente desfrutado de apoio político, financeiro e logístico de Belgrado, Kurti afirmou nas redes sociais:
“Não são cidadãos comuns sérvios do Kosovo, mas tropas apoiadas pelo Estado sérvio que estão a perpetrar estes ataques terroristas.”
O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, negou que Belgrado tenha desempenhado qualquer papel no incidente. Falando no domingo à noite, Vucic disse que os sérvios locais tinham montado a barricada e que as forças do Kosovo os tinham atacado.
Séculos de domínio otomano, pogroms liderados por albaneses durante a Segunda Guerra Mundial e uma guerra aérea da NATO contra a Sérvia em 1999 fizeram dos sérvios uma minoria no Kosovo, apesar da província integrar um dos seus mais antigos locais religiosos. Vucic e os líderes sérvios no Kosovo avisaram durante meses que Kurti tenciona expulsar os restantes sérvios da província, e é por isso que montam frequentemente barricadas para impedir os ataques das forças governamentais.
Vucic emitiu um aviso semelhante no domingo, declarando que
“Kurti quer arrastar-nos para uma guerra com a NATO. A província ocupada pela NATO nunca conseguirá a sua independência da Sérvia, por mais que os elementos estrangeiros tentem”.
As tensões entre o Kosovo e a Sérvia estão assim a ganhar intensidade. Como entre o Azerbeijão e a Arménia. Todos territórios que a Rússia e o bloco ocidental procuram integrar na sua esfera de influência.
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