A melhor maneira de começar este texto é informar os prezados leitores que Genghis Khan foi o genocida número 1 na história da humanidade e que o império Mongol chacinou 11% da população mundial. Nem Mao Zedong, nem Estaline, nem Hitler chegam aos calcanhares do grande Cão no campeonato dos mais entusiásticos exterminadores da história universal.
O império dos Khans é também reconhecido pela barbárie dos seus métodos e pelo carácter draconiano e totalitário (em modo pré-feudal) das suas lideranças.
Ainda assim, o Anti-papa Francisco elogiou recentemente os “tempos épicos” do vasto império de Gengis Khan, que, nas palavras do pontifície, assegurava a “ausência de conflitos” de que o mundo moderno carece. Pudera: Se qualquer nação oferecesse resistência ao tártaros, o que se seguia era destruição em escala inimaginável, terror e morte generalizada. David Nicole refere em “The Mongol Warlords” que “o terror e o extermínio em massa de todos os que se lhes opunham era uma táctica mongol bem testada”. Se um inimigo recusasse a submissão, os senhores da guerra mongóis empregavam uma estratégia de devastação total, ordenando o massacre colectivo das populações e a destruição de propriedades. O sucesso das tácticas mongóis baseava-se no medo para induzir a capitulação das populações inimigas.
Francisco fez estas observações insanas (ou malignas?) na semana passada, durante a sua viagem apostólica à Mongólia. Glorificando o maior império territorial contíguo da história, o Anti-papa elogiou também o enorme Estado do século XIII por “abraçar” várias terras sob o seu domínio. Por “abraçar”, leia-se “esmagar” ou”erradicar” ou “chacinar”.
“O facto de o império ter podido abraçar, ao longo dos séculos, terras tão distantes e variadas testemunha a notável capacidade dos vossos antepassados de reconhecer as qualidades excepcionais dos povos presentes no seu imenso território e de as pôr ao serviço de um desenvolvimento comum”.
Estas só podem ser as declarações mais delirantes desde que, sobre os ombros de Pedro, o Messias erigiu a sua Igreja. Mas há mais dislates surrealistas, porque Francisco não é um homem de poucas palavras:
“O modelo do Império Mongol deve ser valorizado e proposto nos nossos dias”.
Sim, o líder espiritual da religião católica disse isto. Devemos voltar a propor a visão de Gehgis Khan sobre as sociedades contemporâneas. E ainda:
“Que o Céu conceda que hoje, nesta terra devastada por inúmeros conflitos, haja uma renovação, respeitando as leis internacionais, das condições do que foi outrora a pax mongolica, ou seja, a ausência de conflitos.”
O Império Mongol surgiu no início do século XIII com a unificação de várias tribos nómadas sob a liderança de Temujin, mais conhecido como Genghis Khan. O Estado nómada lançou um devastador movimento de conquista, com vastos exércitos enviados em todas as direcções a partir da Mongólia. O império cresceu continuamente até ao final do século XIII, incorporando a actual China, toda a Ásia Central, o Irão, bem como partes do actual Iraque, Rússia, Turquia e outros Estados europeus, tornando-se o maior império terrestre contíguo da história. Tudo isto, claro, através da guerra e de um maneira de fazer a guerra que é a mais selvagem que podemos encontrar na cruel e quezilenta História dos homens.
O extenso império acabou por cair em desordem devido a problemas administrativos, disputas sucessórias e tensões religiosas. Em 1294, foi dividido em quatro impérios menores, mas voltou a emergir como uma construção federativa mais flexível sob a dinastia Yuan da China. Com a queda da dinastia imperial em meados do século XIV, o império mongol unificado deixou de existir. Porque Deus é grande.
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