Tucker Carlson ligou em definitivo e na intensidade máxima a máquina de partir loiça que na Fox funcionava apenas a meia capacidade voltaica. Repare bem, estimado leitor, nesta intervenção no evento do Turning Point USA do fim de semana passado, que proferiu depois de ter entrevistado – e humilhado – alguns dos candidatos presidenciais às primárias do Partido Republicano.
O Contra deixa aqui a tradução livre de alguns segmentos iniciais do que Tucker diz, para se ter uma ideia do seu loquaz, bombástico e dissidente discurso:
“Estive com os candidatos republicanos, menos um, e foi completamente fascinante, como é sempre que estás perto de políticos. Os políticos são um grupo que eu desprezo por princípio, porque eles tendem a não ter alma e têm vidas vazias e tristes, pelo que passam os seus dias a tentar ganhar a aprovação de pessoas que nunca conheceram. É patético. Todos eles tiveram pais alcoólicos e abusivos, mas em pessoa são super charmosos. Não há um político no mundo que não seja charmoso, é por isso que entraram no negócio da política, era isto ou vender automóveis e isto é mais lucrativo.”
“Gostava de fazer algumas observações gerais, que são mais edificantes do que apenas atacar selvaticamente Mike Pence, o que é errado, porque é demasiado fácil. A primeira coisa que aprendi foi que os interesses e as prioridades dos políticos em Washington que vocês elegeram são completamente diferentes dos vossos interesses e prioridades. Pensámos que isso tinha mudado e que tínhamos conseguido captar a atenção deles quando aqui há seis anos elegemos um tipo na expectativa de que ele basicamente rebentasse com o Partido Republicano. Quero dizer: se a tua mulher foge com o rapaz que limpa a piscina é altura de reavaliares as tuas qualidades como marido.”
“Quase toda a gente nos cargos eleitos do Partido Republicano assumiu as regras de debate do outro lado. E se pensarmos bem, não há forma mais derrotista de viver ou de fazer política do que a de aceitar os termos que o inimigo impõe antes sequer da conversa ter começado. Por outras palavras: Se tu e eu estamos a discutir seja o que for e eu já decidi que tu tens razão, é provável que eu não vá muito longe.”
Mas a coisa continua em tom demolidor. Como demolidora foi esta entrevista a Mike Pence:
Absolutely incredible. Here is the entire Ukraine discussion between @TuckerCarlson and Mike Pence.
Tucker asks Pence about religious persecution in Ukraine, and he completely denies it. Tucker follows up, and Pence gets flustered. Pence then tells the ridiculous lie that Putin… pic.twitter.com/KA5FjqSKUM
— Liam McCollum (@MLiamMcCollum) July 14, 2023
Tucker pergunta a Pence sobre a perseguição religiosa na Ucrânia, e ele nega-a completamente. Tucker insiste e Pence fica confuso e tenta safar-se com a mentira ridícula de que Putin entrará pelos países da NATO a dentro se derrotar a Ucrânia. Tucker prossegue com perguntas sobre bombas de fragmentação, e o entrevistado recebe vaias enquanto o entrevistador é premiado com aplausos.
Tucker sugere que é mais importante resolver os problemas das cidades do seu país do que defender as fronteiras da Ucrânia – um perímetro que a maioria dos americanos não consegue apontar no mapa – e Pence começa por afirmar, inacreditavelmente, que os problemas das cidades americanas não são um problema dele. Sim, Mike Pence, candidato às primárias do Partido Republicano, disse isto.
Incrível. A crucial divisão filosófica entre líderes e liderados está em plena exibição nestes minutos insanos.
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