
O Banco central alemão registou o primeiro prejuízo em mais de quatro décadas, com a subida das taxas de juro.
De acordo com a Reuters, o Bundesbank está a ser atingido por uma série de aumentos das taxas do Banco Central Europeu, que reduziu o valor das suas obrigações e também gerou uma perda em empréstimos ultra-baratos a bancos comerciais.
Embora o prejuízo de 172 milhões de euros tenha sido coberto por provisões acumuladas ao longo dos anos, é provável que se registem mais perdas, uma vez que as taxas de juro continuam a subir, reduzindo o valor das obrigações acumuladas durante os anos em que a inflação era muito baixa.
Simultaneamente, O Telegraph projecta mesmo uma assustadora dívida que pode ir até os 650 mil milhões de euros.
NEW – Germany’s central bank may need a bailout to cover losses of €650 billion on the debt it hoovered up.https://t.co/ko3i3pssPM
— Disclose.tv (@disclosetv) June 26, 2023
Estes são os primeiros resultados negativos do Bundesbank desde 1979. O Presidente do Banco Central alemão, Joachim Nagel, reconheceu que:
“Os resultados actuais e dos próximos anos são, em última análise, um produto da política monetária extraordinariamente expansiva dos últimos anos. É agora necessária uma política monetária restritiva para restaurar a estabilidade de preços em tempo útil.”
Para o Bundesbank, a erosão dos seus amortecedores de risco é sobretudo uma questão contabilística, porque o banco pode simplesmente adiar as perdas, tal como fez na década de 1970, e voltar a aumentá-las quando voltar a ter lucros.
As perdas também não prejudicam a capacidade do banco para efetuar operações de política monetária – desde que os investidores não percam a confiança no seu estatuto e no do BCE como combatentes credíveis da inflação.
Mas significará uma perda de receitas para o orçamento federal alemão, uma vez que o Bundesbank pagou quase 25 mil milhões de euros em dividendos entre 2010 e 2019, antes de começar a constituir provisões.
Por uma vez não só só os cidadãos e as pequenas empresas a sofrer com as altas taxas de juro e com a inflacção, num contexto recessivo, ainda por cima. O problema, como ficou claro na crise de 2007, é que quando os grandes conglomerados financeiros e os bancos centrais registam perdas deste volume, quem as acaba por pagar vão ser os mesmos de sempre: os contribuintes.
A Alemanha em queda livre.
Esta notícia surge num momento em que a economia alemã mostra sinais deveras preocupantes. Outrora o motor do crescimento da Europa, a máquina germânica entrou em recessão no início de 2023, com os dados do PIB a mostrarem sinais muito negativos. E enquanto o ministro das finanças, Christian Lindner, já anunciou que a Alemanha não vai contribuir adicionalmente para o deficitário orçamento da UE, o Deutsche Bank está a projectar iminentes crises de dívida e consequentes ondas de incumprimento de crédito para as empresas do Ocidente, com taxas de incumprimento recordistas, que podem atingir 11,5% nos EUA e 7,3% na Europa.
Ainda assim, a Comissão Europeia está a preparar um pacote de ajuda financeira à Ucrânia de 72 mil milhões de euros.
Começa a ser mesmo difícil acreditar que as elites ocidentais estão a destruir o tecido económico, o nível de vida dos cidadãos e a tesouraria das pequenas e médias empresas por simples incompetência. Todos os problemas económicos do Ocidente foram criados pelas políticas monetárias suicidárias dos bancos centrais, pelas políticas anti-pandémicas governamentais, pelas estratégias energéticas da agenda net zero e pelo insano empenhamento da Europa e dos Estados Unidos na guerra da Ucrânia. Todos estes vectores da catástrofe em concomitante movimento não podem ser produto de incúria, aleatoriedade ou coincidência.
Tudo isto é realizado coordenadamente, com a intenção de empobrecer e reduzir à servidão os sectores das sociedades ocidentais que historicamente se mostram mais independentes do autoritarismo do estado e que assim dificultam o progresso do globalismo corporativo: as classes médias e as pequenas e médias empresas.
Relacionados
15 Jan 26
Porque será? Bilionários globalistas norte-americanos apostam forte na Gronelândia.
Eis explicado todo o contexto das declarações de intenção referentes à anexação da Gronelândia, que Trump tem proferido desde o primeiro mandato: têm menos que ver com geo-estratégia e segurança nacional do que com o capital e o poder dos amigos globalistas.
2 Jan 26
Milagre económico do regime Trump: desemprego atinge o nível mais elevado em quatro anos.
A taxa de desemprego subiu para 4,6%, marcando o nível mais elevado desde Setembro de 2021. Entretanto, os números de Outubro revelaram uma perda de 105.000 empregos, sinalizando desafios contínuos no mercado de trabalho norte-americano.
30 Dez 25
Investigação revela que a formação de preços por algoritmos de inteligência artificial contribui para a inflação.
Uma investigação da Consumer Reports e da Groundwork Collaborative revelou que a Instacart, uma central de compras e entregas de produtos alimentares online, está a realizar experiências com inteligência artificial que contribuem para o aumento dos preços dos alimentos nos EUA.
17 Dez 25
Trump admite ineficácia das suas políticas económicas: “Não sei quando é que todo este dinheiro vai começar a ter efeitos.”
A "maior economia da história" vai conduzir os eleitores direitinhos para o Partido Democrata, nas intercalares de 2026, e Trump, que tem bons instintos eleitorais, já percebeu que está a viajar a alta velocidade em direcção ao desastre.
4 Dez 25
The Economist: Donald Trump imita Joe Biden no negacionismo da inflação.
É preciso um presidente muito errático para que a corporativa The Economist publique um parágrafo acertado. Mas foi mesmo o que aconteceu, quando um editor sénior da publicação acusou Donald Trump de negar o óbvio: os preços continuam em alta.
26 Nov 25
Indústria alemã em queda livre: emprego no sector automóvel atinge mínimos históricos.
Novos dados divulgados pelo Gabinete Federal de Estatística mostram um declínio generalizado do emprego nos principais sectores industriais alemães, com a indústria automóvel a registar a maior queda em mais de uma década.





