
Mais uma descoberta do James Webb Space Telescope que está a chocar os astrónomos e os físicos.
Numa galáxia a mais de 12 mil milhões de anos-luz de distância, escondidas à vista de todos, encontram-se as mais antigas e distantes moléculas orgânicas complexas alguma vez detectadas. Estas moléculas, que se manifestam como algo semelhante ao smog na Terra, são os blocos de construção da vida tal como a conhecemos.
Esta descoberta extraordinária desafia a nossa compreensão do início do Universo e levanta questões intrigantes. Como é que estas moléculas se originaram e se espalharam tão cedo no universo? Mais a mais, as observações da galáxia SPT0418-47 feitas pelo James Webb revelam propriedades excepcionais, tais como a abundância de elementos pesados e moléculas orgânicas.
A presença de moléculas orgânicas complexas nesta jovem galáxia está a deixar os cientistas perplexos, oferecendo potenciais explicações de formação in situ ou ex situ ou uma combinação de ambas.
Um paper publicado a 5 de Junho por uma equipa de cientistas liderada por Justin S. Spilker, do Institute for Fundamental Physics and Astronomy da Universidade do Texas, conclui que, Independentemente do mecanismo de formação, esta descoberta implica que as moléculas orgânicas complexas podem surgir rapidamente em ambientes primitivos, alargando os horizontes das origens da vida.
Os grãos de poeira absorvem metade da radiação emitida pelas estrelas ao longo da história do Universo, emitindo depois essa energia em comprimentos de onda infravermelhos. Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) são moléculas orgânicas de grandes dimensões que se encontram em grãos de poeira milimétricos e regulam o arrefecimento do gás interestelar no interior das galáxias. As observações das características dos HAP em galáxias muito distantes têm sido difíceis devido à sensibilidade limitada e à cobertura do comprimento de onda dos anteriores telescópios de infravermelhos, mas as observações do James Webb detectaram a caraterística HAP de 3,3 μm numa galáxia observada a menos de 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang.
A elevada largura equivalente caraterística dos HAP indica que a formação estelar, e não a acreção de buracos negros, domina a emissão infravermelha em toda a galáxia. A luz das moléculas de HAP, poeira quente e grandes grãos de poeira e estrelas são espacialmente distintas umas das outras, levando a variações de ordem de magnitude na largura equivalente dos HAP e na razão entre os HAP e a luminosidade infravermelha total em toda a galáxia.
As variações espaciais observadas sugerem ou um deslocamento físico entre as HAP e as nuvens de poeira, ou grandes variações no campo de radiação ultravioleta local. Estas observações demonstram que as diferenças na emissão das moléculas de HAP e dos grandes grãos de poeira são um resultado complexo de processos localizados nas galáxias primitivas.
A NASA publicou recentemente uma cativante viagem de exploração aos mistérios do universo com o James Webb, revelando estas novas e espantosas descobertas que colocam questões profundas sobre o conhecimento que julgamos deter sobre o universo e o nosso lugar no cosmos.
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