
Uma mudança de liderança na Áustria e na Eslováquia pode significar a ruína do regime de sanções de Bruxelas. Um funcionário da Comissão Europeia disse na terça-feira passada que
“Seria um desastre se fossem eleitos líderes cépticos em relação à Ucrânia na Áustria e na Eslováquia”
A União Europeia teme que as mudanças políticas em ambos os países possam comprometer as futuras sanções contra a Rússia, bem como a ajuda militar do bloco a Kiev.
O governo de centro-direita da Áustria é impopular e as preocupações com a imigração e o aumento do custo de vida tornaram o Partido da Liberdade, de direita, de Herbert Kickl, a facção política mais popular desde o final do ano passado. As eleições legislativas estão marcadas para o próximo Outono, o mais tardar.
Na Eslováquia, a popularidade do antigo Primeiro-Ministro Robert Fico aumentou devido a preocupações semelhantes. A apenas três meses das eleições legislativas, o partido de Fico lidera as sondagens, enquanto o país trabalha sob um governo de tecnocratas não eleitos.
É evidente que a imprensa corporativa concorda com a Comissão Europeia e, nos últimos dias, tem publicado vários artigos que descrevem o político austríaco como “um teórico da conspiração pró-russo e anti-americano” e o seu homólogo eslovaco como um divulgador de “desinformação russa”.
Ambos os potenciais primeiros-ministros são opositores veementes das políticas de imigração da UE, em particular a imigração oriunda dos países islâmicos. No que diz respeito à Ucrânia, Kickl declarou que a NATO é tão responsável pelo conflito como a Rússia e considera que o apoio da Áustria às sanções da UE contra Moscovo constitui uma violação da neutralidade do país. Em Março deste ano, Kickl e os seus colegas do Partido da Liberdade abandonaram o Parlamento durante um discurso do Presidente ucraniano Vladimir Zelensky.
A Eslováquia é membro da NATO e, desde Fevereiro passado, entregou à Ucrânia veículos blindados de transporte de pessoal, munições e toda a sua frota de caças MiG-29 da era soviética. Robert Fico, que foi primeiro-ministro por duas vezes nas últimas duas décadas, disse que iria cortar esta ajuda militar.
Até agora, a Hungria tem sido o único membro da UE a opor-se sistematicamente às sanções contra a Rússia, com o governo de Viktor Orban a concordar com as restrições do bloco apenas depois de garantir concessões à Hungria. Budapeste está actualmente a atrasar o décimo primeiro pacote de sanções da UE devido à inclusão de várias das suas empresas na lista negra da Ucrânia como “patrocinadores de guerra”, ao mesmo tempo que bloqueia uma tranche de 542 milhões de dólares de ajuda militar da UE a Kiev.
Se Kickl e Fico subirem ao poder, a Áustria, a Hungria e a Eslováquia vão formar um poderoso bloco político e podem exercer uma pressão significativa sobre Bruxelas para alterar a sua política em relação à Ucrânia.
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