Há um ano, a imprensa corporativa chamava à ideia da guerra cultural uma “teoria da conspiração da direita” que não tinha qualquer base na realidade. No entanto, a injecção de políticas de extrema-esquerda nos meios de entretenimento já tinha começado muitos anos antes, com esforços de propaganda visíveis em filmes, televisão, streaming, programas infantis e livros; até a publicidade já estava repleta de mensagens ideológicas progressistas, principalmente a partir de 2016.
O objectivo é relativamente óbvio – apagar ideais e pontos de vista concorrentes e saturar o mercado com apenas uma visão política; um grande uníssono totalitário. Chama-se a isto engenharia social e qualquer pessoa que afirme que o fenómeno não está a acontecer no Ocidente tem problemas de relação com a realidade factual.
Estranhamente, a indústria americana de banda desenhada tornou-se um importante campo de batalha na guerra cultural, com os símbolos heroicos a serem obliterados ou sequestrados como veículos para os pontos de vista dos “woke”. Um vasto leque de personagens de banda desenhada mudaram de pigmento epidérmico, foram convertidos em agentes dos movimentos LGBT, propagandistas do Black Lives Matter ou activistas do apocalipse climático, tendo as suas histórias sido reescritas para as tornar mais “aceitáveis para o público moderno” (leia-se: para compaginarem com a agenda dos poderes instituídos).
E porque é que a esquerda está focada em algo tão frívolo como os heróis da banda desenhada? Porque a cultura pop é, antes de mais, um imaginário que acompanha o crescimento das crianças e a sua conceptualização do mal e do bem e do justo e do injusto, ou seja, dos parâmetros morais da sociedade. Ao reescreverem os heróis como defensores da justiça social, radicais woke e apparatchiks comunistas, os senhores da Marvel esperam doutrinar ideologicamente a próxima geração.
No entanto, há um super-herói em particular que é visto pela esquerda radical como um perigo, e que terá de ser completamente apagado da memória – O Punisher (Justiceiro).
Frank Castle, a personagem originalmente criada pelo escritor Gerry Conway em 1974 com os artistas Ross Andru e John Romita, foi produto de uma era caótica; uma reacção à guerra, à estagflação, à instabilidade e à explosão das taxas de criminalidade nos EUA. A história do Justiceiro é a tragédia de um veterano militar que regressa a casa só para ver a sua família chacinada por um gangue de criminosos. Com as agências federais a fazerem pouco ou nada para prender os perpetradores, Castle toma o assunto nas suas próprias mãos e começa a assassinar sistematicamente os assassinos da sua família.
O conceito de combate ao crime e de vigilantismo por parte dos cidadãos estava a tornar-se popular no zeitgeist cultural dos anos 70, com muitas pessoas que viviam em áreas metropolitanas a lidar com o aumento da violência criminal e com a baixa fiabilidade da protecção governamental. Os governos municipais dos grandes centros urbanos estavam a restringir activamente os direitos de porte de arma das pessoas cumpridoras da lei, o que apenas facilitava a vida aos criminosos.
As mesmas condições exactas estão a regressar aos EUA de hoje, e o debate sobre a acção de vigilantes está a aquecer ao ponto de até a legítima defesa ser hoje amaldiçoada pela imprensa mainstream e pelos sistemas judiciais dos estados democratas. Basta constatar a fúria dos meios de comunicação social em relação a Kyle Rittenhouse ou Daniel Penny. A esquerda dominante opõe-se firmemente a qualquer forma de intervenção civil (a não ser que se trate da Antifa ou do BLM), ao mesmo tempo que se opõe firmemente a qualquer intervenção da polícia. Por outras palavras, querem deixar os criminosos à solta e depois ameaçam processar qualquer pessoa que se atreva a reagir.
O logótipo do Punisher tem sido muito popular entre os conservadores, veteranos militares e agentes da autoridade nos últimos anos. O símbolo da caveira, que é a sua marca registada, pode ser encontrado em todo o lado, com emblemas, equipamento e bandeiras com a imagem, muitas vezes como representação de cidadãos que fazem justiça pelas próprias mãos. O símbolo também foi visto nos protestos de 6 de Janeiro.
Este facto deixou os esquerdistas da Marvel Comics a espumar mil raivas. Primeiro, tentaram fazer alterações fundamentais à personagem, incluindo um redesenho do seu popular símbolo da caveira, bem como retirar-lhe as armas de fogo e substitui-las por espadas, em 2021. Em vez de lutar contra organizações criminosas, Frank Castle junta-se a uma, violando o seu código de ética fundamental.
Este mês, porém, a Marvel declarou oficialmente o Justiceiro persona non grata, eliminando a personagem como os leitores a conhecem. E será que ele saiu de cena de forma gloriosa? Não, no típico estilo woke Frank Castle é capturado por heróis progressistas, acorrentado e forçado a passar por uma sessão de luta na qual é admoestado como assassino e terrorista. A Marvel até traz a mulher do Justiceiro de volta dos mortos, apenas para que ela possa divorciar-se dele e ficar com o seu dinheiro e bens, e depois informá-lo de que a sua cruzada de toda a vida contra o submundo do crime foi em vão.
O personagem “morre” de aparente suicídio, mas a história é deixada em aberto para o seu regresso, mas certamente não como o herói armado que as pessoas conhecem e adoram.
Os escritores da Marvel, incluindo o criador original do Justiceiro, Gerry Conway, citam especificamente a popularidade da personagem entre os conservadores como a razão para a sua virtual eliminação. Como a Newsweek observou, o Justiceiro era “problemático” para a Marvel porque os conservadores gostavam demasiado dele. Ele representa o homem comum: não tem super-poderes, não é bilionário como o Batman, mas continua a combater o mal com armas de fogo e uma determinação inabalável.
A cooptação e o cancelamento de heróis populares é representativa da perturbadora politização dos nossos tempos. Tal como a Revolução Cultural na China, os movimentos de esquerda na América estão a destruir sistematicamente todas as crenças divergentes do catálogo cultural, o que inclui quaisquer representações positivas do vigilantismo. Eles admitem abertamente porque o estão a fazer; os conservadores não podem ser os bons da fita. Não lhes é permitido ter heróis. Ou seja, se o Justiceiro fosse um ícone da esquerda, a Marvel não teria problemas com ele.
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