A creditarmos o Ministério da Defesa da Federação Russa, a primeira fase da contra-ofensiva ucraniana da Primavera, que teve lugar na região de Donetsk, falhou redondamente.

Em comunicado, o ministério afirmou que no domingo as tropas ucranianas tentaram atacar as forças russas usando seis batalhões mecanizados e dois tanques. No entanto, acrescentou que, em resultado das acções do agrupamento militar “Leste”, bem como devido a ataques aéreos e fogo de artilharia perto das povoações de Neskuchnoye e Novodarovka, ambas a cerca de 100 km a oeste de Donetsk, as forças ucranianas sofreram “perdas significativas”.

Como resultado do ataque falhado, nas últimas 24 horas a Ucrânia perdeu cerca de 300 militares, 16 tanques, 26 veículos blindados e 14 veículos comuns, lê-se no comunicado. “O inimigo não conseguiu atingir os seus objectivos”, concluiu o ministério.

A declaração surge depois de, na madrugada de domingo, a Ucrânia ter tentado romper as defesas russas em cinco secções da linha da frente em Donbass, utilizando as suas “reservas estratégicas”, mas não o conseguiu.

 

 

Há meses que as autoridades ucranianas prometem lançar uma contra-ofensiva, que inicialmente se esperava que acontecesse na Primavera. O Presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, afirmou em várias ocasiões que Kiev estava “pronto” para a ofensiva, mas que “ainda precisava de um pouco mais de tempo” para receber mais armas ocidentais.

O Estado-Maior da Ucrânia não fez qualquer comentário sobre a contra-ofensiva, dizendo apenas que se tinham registado 29 confrontos nas regiões de Donetsk e da vizinha Lugansk nas últimas 24 horas. O Centro de Comunicações Estratégicas da Ucrânia também não respondeu frontalmente à declaração de Moscovo, mas acusou a Rússia de tentar “espalhar informações falsas” para desmoralizar os ucranianos.

Há assim e como sempre duas histórias diferentes sobre os combates. O lado ucraniano é muito discreto em relação aos ataques e às eventuais perdas do seu lado. As fontes russas são muito mais liberais com a informação, tanto em texto como em vídeos. Se a informação russa estiver correcta, isso explica o silêncio ucraniano, uma vez que o regime Zelensky raramente admite grandes perdas do seu lado e, quando assim acontece, tenta desviar a atenção para outros assuntos.

Se os números russos forem verdadeiros, e as baixas nas forças ucranianas se mantiverem altas nos próximos dias, as perspectivas de uma contra-ofensiva bem sucedida parecem muito reduzidas, mesmo se não tivermos em conta a intensa ofensiva aérea e de artilharia russa em curso contra as concentrações de tropas ucranianas e os depósitos de munições e de combustível.

Se uma brigada ucraniana de 4.000 homens perder 25% dos seus efectivos fica à beira de se tornar inutilizável. Os números do Ministério da Defesa russo projectam tais baixas a curto prazo. 24 dias com perdas humanas como nas últimas 48 horas destruiriam, de facto, as 12 brigadas que as forças armadas ucranianas reuniram para a contra-ofensiva. Com perdas de cerca de 12 brigadas, muitos milhares de mortos em combate e centenas de blindados, as reservas estratégicas que a Ucrânia construiu nos últimos 6 meses desapareceriam.

Tudo isto para ganhar talvez 10 quilómetros em alguns locais ou, em média, 2 a 3 quilómetros ao longo de metade da frente sul.

É claro que estas primeiras operações das forças ucranianas podem ainda ser exploratórias. E que os números russos podem ser exagerados. Mas os sinais não são animadores para Zelensky. Alex Chistoforou e Alexander Mercouris polemizam a circunstância.