O planeta Terra apresenta condições favoráveis à vida há cerca de 3 ou 4 biliões de anos. E parece que esta estável permanência não é assim tão frequente no universo, e muito questionável segundo as leis da física. Um recente estudo de Toby Tyrrel, professor de Ciências da Terra e dos Oceanos na Universidade de Southampton, conclui que as probabilidades dessa prolixa longevidade são muitíssimo baixas.
As alterações na intensidade da actividade solar, as delicadas dinâmicas atmosféricas e geológicas da Terra, a quantidade e complexidade das variáveis que se devem manter em equilíbrio permanente para que a vida prospere, as ameaças ao equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas provindas do espaço (como o impacto de asteroides e cometas ou as alterações de órbitas de outros corpos do sistema solar), contribuem para essa improbabilidade grande, dado o imenso lapso temporal.
Correndo várias simulações com 1000 planetas enquadrados segundo as mesmas condições originais da Terra e fazendo passar essa interminável quantidade de tempo, Tyrrel obteve um conjunto de resultados que demonstram a escassa viabilidade do sistema terráqueo sobreviver assim durante tantos e incontáveis milénios: dependendo dos inputs dados às simulações, as probabilidades do planeta azulado persistir em fornecer desinteressadamente condições óptimas para a vida serão de 16 por milhar, no máximo, e de 1 por milhar, no mínimo.
É claro que, sendo o seu salário proveniente de uma universidade ateísta e dogmática, como a universidade de Cambridge é ateísta e dogmática, a hipótese desta improbabilidade se dever ao fine tuning, determinismo que implica a acção criadora, transcendente e necessariamente inteligente, está fora de questão. Tudo menos isso. E assim sendo, Toby Tyreel prefere a morte da ciência à existência de Deus: o facto de estarmos aqui, vivos e conscientes andarilhos sobre a superfície curva deste improvável planeta deve-se à…
Sorte.
Sim, a partir de agora, a insondável fortuna é uma variável científica (para não lhe chamar uma constante, o que seria uma contradição em termos). O cosmos é representado, neste contexto delirante, como uma espécie de casino existencial.
Assim, é difícil levar a Ciência a sério.
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