Megyn Kelly é a prova provada de que o formato podcast de longa duração reina nos media contemporâneos. Desde que começou o seu Megyn Kelly Show, há cerca de uma ano e meio, a rapariga já somou um milhão de subscritores no Youtube e está nos dez podcasts mais consumidos no Estados Unidos. Megyn parece que nasceu para isto: monólogos intensos, conversas prolongadas, independência editorial e liberdade para a dissidência, que resultam em audiências que neste momento são superiores a muitos horários nobres dos canais noticiosos convencionais.
Por isso, e porque alguém tem que substituir Tucker Carlson enquanto ele não voltar ao activo, vamos ter mais mais Megyn Kelly no ContraCultura,
Neste episódio, a ex-âncora da Fox News (Megyn e Tucker, além de serem amigos, foram as duas principais estrelas do canal noticioso na última década e têm em comum a forma terrível como foram tratados pelos executivos dirigentes da estação), diz tudo o que é preciso dizer sobre a infame campanha de difamação que a estação dos Murdoch está a tentar conduzir para denegrir Tucker Carlson e que só resulta, ironicamente, no fortalecimento da sua imagem e na rejeição do canal por parte dos públicos conservadores. E por uma simples razão: os clips de vídeo que estão a ser utilizados como bombas escandalosas sobre o comportamento de Tucker, constituídos basicamente por momentos em que o pivot está em estúdio antes ou depois de entrar em directo, não só não constituem nada de escandaloso como revelam um homem educado (palavrões à parte), honesto, bem humorado e lúcido.
A outra suposta bomba é este sms que Tucker enviou a um dos seus produtores executivos:
Este sms, para além de não ter sido escrito para cair no domínio público, é de uma honestidade incrível e revela um homem de consciência. Tucker Carlson não vai perder um só dos seus seguidores por causa disto. O New York Times (quem mais podeira ser?) está a usar a expressão “That’s not how white men fight” (“Não é assim que os homens brancos lutam) para apresentar o seu inimigo de estimação como um racista dos sete costados. Mas se um negro, por exemplo membro do movimento Black Lives Matter, afirmasse, em circunstância simetricamente inversa, que não é assim que os homens negros lutam, ninguém falaria de racismo por certo. E é verdade objectiva que não vemos com frequência, na actualidade, turbas de homens brancos a espancarem indivíduos isolados. O contrário porém já não é assim tão verdadeiro.
De qualquer forma, a estratégia de maus fígados parece estar a virar-se contra os Murdoch: desde que Tucker foi despedido, a Fox News perdeu metade, sim, metade da sua audiência de horário nobre. Outrora a líder destacada dos canais noticiosos, a estação vê-se agora aflita para competir com a MSNBC e a CNN.
Apocalipse total.
Depois do mónologo dedicado a Carlson, Megyn conversa com James O’Keefe, ex-CEO do Project Veritas (também ele expulso da organização que fundou por ter incomodado os poderes instituídos nos EUA) e actual dirigente do O’Keefe Media Group, para discutir a ética da divulgação de mensagens de texto privadas, os prós e os contras do incentivo capitalista nos meios de comunicação social, o que realmente aconteceu no Project Veritas que levou à sua recente expulsão, a sua reportagem exclusiva sobre o que está a acontecer dentro das prisões femininas com reclusos do sexo masculino que afirmam ser trans-sexuais, o seu confronto com Dylan Mulvaney e a ética do jornalismo de emboscada, e o fiasco woke da cerveja Bud Light. No último segmento do programa, o histórico senador do Partido Republicano Mike Lee, do Utah, junta-se a Megyn para falar de novos pormenores bombásticos sobre a identidade de um informador do Supremo Tribunal, e da hipocrisia de dual critério do Departamento de Justiça de Biden na protecção dos juízes do Supremo Tribunal, no contexto dos ataques incessantes ao juiz conservador Clarence Thomas.
Um podcast de hora e meia, que é representativo do melhor que podemos encontrar neste formato.
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