A Administração Biden está a justificar-se com falhas de segurança do Pentágono, que permitiu que documentos classificados circulassem na web durante semanas, para alargar a sua vigilância das plataformas online.
Esta potencial alteração aos métodos de recolha de informações surge à medida que as autoridades se apressam a descobrir não só como ocorreram as fugas de informação confidencial, mas também como evitar incidentes semelhantes no futuro.
Na semana passada, o Presidente Joe Biden e o Secretário da Defesa Lloyd Austin foram informados sobre duas fugas de informação, que revelavam provas materiais de que os EUA e a NATO têm forças militares e quadros da CIA a operarem no território da Ucrânia, e informações detalhadas sobre manobras tácticas russas, avaliações dos pontos fortes e fracos das forças militares ucranianas, alegada sabotagem por agentes ucranianos na Bielorrússia e na Rússia, e relatórios de inteligência sobre aliados, incluindo a Coreia do Sul e Israel.
Ainda por cima, parece que alguns dos documentos secretos surgiram pela primeira vez na aplicação Discord em Janeiro deste ano, de acordo com o grupo de investigação open-source Bellingcat, que alegadamente tem ligações à comunidade dos serviços secretos.
Ao descobrir que os documentos tinham estado disponíveis online durante um período prolongado, o presidente e outros funcionários consideraram formas de evitar que isto voltasse a acontecer. Como resposta, a administração já apertou o acesso à informação classificada e pode expandir a monotorização das plataformas online que os serviços de informação e as agências de aplicação da lei americanas já vigiam intensamente. Neste sentido será como dar a Golias um tratamento de esteróides para silenciar e punir um David com cinco centímetros de altura.
Os documentos divulgados pelo Pentágono surgiram alegadamente em círculos gaming na web, dando às agências de inteligência justificação para vigiarem esta área mais de perto. Vão portanto ser canalizados milhões de dólares para financiar a NSA e a CIA e os serviços secretos do Pentágono para que melhor monitorizem grupos de conversação do MineCraft e do The Last of Us.
De facto, imagens de alguns documentos apareceram pela primeira vez nos canais Discord dedicados ao Minecraft e a um clube de fãs de um YouTuber chamado wow_mao, de acordo com a Bellingcat. A partir daí, as imagens chegaram ao 4Chan, a canais do Telegram pró-russos e ao Twitter. O New York Times fez a primeira reportagem sobre os documentos na semana passada.
Uma das aplicações que vão ser mais vigiadas é a Discord. A Discord é uma aplicação de comunicação concebida principalmente para a comunidade de jogos, mas desde então expandiu-se para servir um vasto leque de utilizadores e propósitos. Fornece uma plataforma de texto, voz, e chat vídeo, permitindo aos utilizadores comunicar e colaborar em tempo real. A Discord oferece servidores públicos e privados, permitindo aos utilizadores criar salas de chat ou canais focados em tópicos, interesses ou grupos específicos. Os utilizadores podem também enviar mensagens directas uns aos outros, partilhar ficheiros, e transmitir os seus jogos.
Este incidente suscitou novas questões sobre o acesso e a gestão de informação sensível por parte dos governos. Há que considerar que os métodos e as tecnologias de vigilância e controlo das massas estão hoje, em todo o mundo, mais avançados do que a ficção científica podia projectar há apenas 50 anos atrás. Recentemente, numa entrevista dada a Tucker Carlson, Elon Musk confessou-se chocado por ter descoberto que mensagens privadas (Direct Messaging) do Twitter tinham sido acedidas pelo governo americano e é hoje do conhecimento público que durante a pandemia a Casa Branca tentou monitorar e censurar mensagens privadas do What’s Up. Também em declarações ao anfitrião da Fox News, o jornalista independente Glenn Greenwald alertou para as ameaças decorrentes do aumento dos poderes dos serviços de inteligência, não só no que diz respeito à vigilância dos cidadãos mas também na restrição do acesso a informação que permita a supervisão da actividade destas agências governamentais.
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