Os correspondentes dos principais meios de comunicação social dos EUA raramente, se é que alguma vez, relatam seja o que for do interior da Crimeia e certamente não se encontram em parte alguma do território detido pela Rússia no leste da Ucrânia. Contudo, esta semana, o correspondente internacional sénior da NBC, Keir Simmons, foi a Sevastopol, onde testemunhou a significativa presença militar russa, dado que é o lar da frota da sua Marinha do Mar Negro, e num segmento inédito admitiu que não é de todo realista que Zelensky e as forças ucranianas possam alguma vez ter esperança de tomar a Crimeia, até porque
“O povo de lá vê-se a si próprio como russo”.
Na reportagem que está a causar escândalo nos corredores do poder em Washington, Simmons observou que
“Estivemos mais próximos da Frota Russa do Mar Negro que qualquer equipa noticiosa dos EUA em muitos anos. Vladimir Putin estará determinado a defender aquele porto – para que não lhe seja tirado – e pode muito bem fazer praticamente tudo para conseguir o seu objectivo. É um impasse muito, muito perigoso… É difícil ver como se chega a uma negociação sobre isto. Há militares em todo o lado, é uma cidade militar. Quando, por exemplo, Victoria Nuland fala sobre o assunto, que no mínimo, nós [os EUA] queremos que a Crimeia seja desmilitarizada, dou por mim a perguntar-me, como é que isso pode acontecer.”
BREAKING: NBC News / MSNBC concedes that Zelensky’s goal of retaking Crimea is unrealistic and dangerous.pic.twitter.com/fb2RCRBHOn
— David Sacks (@DavidSacks) March 1, 2023
Os funcionários ucranianos e os especialistas pró-Kiev da comunicação social estão indignados com o desassombrado segmento de Simmons, uma vez que o jornalista refere repetida e abertamente que a população da Crimeia se identifica como russa. Até mesmo um artigo publicado dias antes no website da NBC, incluía o seguinte parágrafo de verdades interditas:
“Esta não é a Rússia, segundo Kiev, os seus aliados ocidentais e as Nações Unidas. A Crimeia foi anexada pelo Kremlin em 2014, com a ONU a apelar à Rússia para regressar às suas ‘fronteiras internacionalmente reconhecidas’. E na sequência da invasão mais vasta de Moscovo lançada há um ano, o Presidente Volodymyr Zelenskyy prometeu que a Ucrânia aceitaria a Crimeia de volta. Mas Praskovya Baranova, 73 anos, fala russo, sente-se russa e vive aqui. E como ela, há centenas de milhar de cidadãos.
Mas parece que o correspondente da NBC, uma vez no terreno, num lugar que poucos repórteres ocidentais alguma vez se aventuraram, não podia negar a simples verdade que estava a ver à sua volta. E por isso, já foi incluído na lista negra de inimigos a abater pelo regime ucraniano:
NBC told Americans the truth about Crimea for the first time and its reporter wound up on the Ukrainian government’s kill list alongside several other US citizens, journos, clergy and even children.
Will NBC now report on this list? Will “press freedom” groups denounce it? https://t.co/rHLxjYdqos
— Max Blumenthal (@MaxBlumenthal) March 2, 2023
David Sacks comenta o refrescante e factual segmento, onde se admite claramente que o objectivo de Zelensky de retomar a Crimeia é irrealista e perigoso:
“Não há muito tempo, estas palavras seriam denunciadas como propaganda de Putin. Isto é uma importante admissão porque significa que a política de Biden, que entrega aos ucranianos os objectivos da guerra, não faz qualquer sentido. Estamos efectivamente a delegar a nossa política externa a Zelensky, que persegue objectivos com os quais não concordamos. Ao mesmo tempo que a NBC se decide subitamente a transmitir a verdade sobre a Crimea, o seu principal especialista sobre a Ucrânia exerce pressão para um ataque total. Está a tornar-se mais fácil ver quem são os verdadeiros fanáticos nesta guerra”.
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