
Neste entretido monólogo, Tucker Carlson evoca Michael Crichton, o famoso novelista que em 2007, numa palestra em São Francisco, descreveu o activismo climático como um movimento religioso para ateus urbanos.
Isto porque toda a gente, mesmo os ateus, têm que ter uma religião. A metafísica faz parte da condição humana e ninguém escapa à confissão de uma qualquer fé e à adoração de um qualquer altar. E à medida que as convicções cristãs foram perdendo devotos no Ocidente, outros aparelhos míticos foram substituindo a igreja, sendo que o activismo climático foi uma das panaceias espirituais mais bem sucedidas nas últimas décadas.
Esta religião tem todos os elementos que se encontram noutras religiões, a saber:
. O Jardim de Éden, que é o planeta sem a presença humana;
. O pecado original, que é a revolução industrial;
. O fim dos tempos, que é a catástrofe climática que andam a anunciar desde os anos 70 do Século XX e que é de gravidade superior a qualquer outro evento de extinção imaginável, incluindo guerras termo-nucleares, erupções vulcânicas, impactos de meteoros, sismos e maremotos.
. As pragas bíblicas, também fazem parte do cardápio da religião ambientalista: tempestades, furacões, picos de calor, picos de frio, secas, enchentes, incêndios, quedas na fertilidade dos humanos, aumentos na mortalidade dos humanos, extinção de espécies animais e até tremores de terra: tudo isto é provocados pelas alterações climáticas.
. O momento de redenção, que é a assumpção dos pecados energéticos e a militância activista em causas ambientais.
. O dogma, que não aceita desvios ou heresias, porque toda a gente tem que estar certa da gravidade de ordem existencial das alterações climáticas e que as alterações climáticas se devem à libertação de dióxido de carbono causada pela actividade humana.
. A inquisição, que julga e condena todos os heréticos que colocam em causa o dogma, mesmo que esse atrevimento seja suportado por dados estatísticos e estudos científicos. A única ciência admitida pelos cânones da religião climática é a produzida pelo seu clero.
. O inferno, que é uma estação de tratamento de resíduos tóxicos onde os negacionistas vão passar a eternidade.
– Os zelotas, que têm como missão castigar as massas por causa daquilo que as massas comem e bebem, por causa das viagens que fazem e dos automóveis que têm, por causa dos electrodomésticos que usam e do lixo que produzem.
– O numeroso clero, que encontramos nas elites globalistas, dos homens Davos aos burocratas de Bruxelas, dos comissários de Washington aos senhores do universo de Wall Street e da City Londrina, das academias às redacções, do próprio Vaticano aos executivos de Silicon Valley, não faltam párocos, bispos e sacerdotes.
– As indulgências, na medida em que não se olha a custos para salvar o planeta, e só a administração Biden já gastou uns generosos triliões nessa nobre, nessa prioritária tarefa.
O problema reside porém numa diferença fundamental: a religião cristã, por exemplo, tem um Deus no seu centro. E um Deus que obriga a um certo conjunto de normas morais. A religião do activismo climático não tem deus nenhum, nem qualquer aparelho ético. É niilista por essência e – nesse sentido – politicamente prenhe, embora volátil. A praxis política dos activistas climáticos é a do vale tudo e aquilo que é verdade hoje pode ser falso amanhã e vice-versa.
A ilustrar essa ausência de critério ético e essa falência de bom senso, Tucker informa a sua audiência que há hospitais na América que estão a reduzir as doses de anestesia aos pacientes de forma a salvar o planeta. Porque todo e qualquer sofrimento humano é justificável, para protelar o destino apocalíptico. Aprisionar as pessoas em casa para que sejam assim impedidas de somar as milhas necessárias ao cumprimento das suas vidas profissionais, sociais e familiares é também uma solução santa, no quadro desta liturgia.
Uma outra maneira de combater as alterações climáticas causadas pelo homem é reduzir a população humana. No Canadá o governo de Trudeau está a optar pelo método da eutanásia em massa. Mas a redução das taxas de fertilidade pelo aborto ou pela esterilização ou através de terapias genéticas implementadas à escala global sob o pretexto da saúde pública também têm produzido os seus efeitos. Neste contexto, a religião do activismo climático faz o elogio do celibato e encara a guerra nuclear como a mais santa das cruzadas, porque será de longe o método de eficácia recordista para fazer decrescer a população mundial, embora apresente alguns riscos porque o clero pode também ser rebentado junto com a plebe.
A religião do activismo climático não tem o Sapiens em grande consideração, como é bom de ver. E se a deixarmos triunfar, vamos acabar escravos de mais terrível das teocracias: a que não precisa de Deus para instalar o medo no coração dos homens.
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