O James Webb Space Telescope é capaz de ter detectado, pela primeira vez na história da astronomia, as esquivas estrelas da “População III”, criadas nas primeiras centenas de milhões de anos de idade do universo, a partir dos gases primordiais libertados pelo Big Bang.
Mas o que são exactamente as estrelas da “População III”? Para uma definição consistente, é melhor fazer um bocadinho de história.
Em 1944, um astrónomo alemão sediado nos Estados Unidos, Walter Baade, propôs que as estrelas se podiam classificar em dois grandes grupos, independentemente da sua composição material: estrelas da “População I” e estrelas da “População II”. As estrelas da população I são astros relativamente recentes como o nosso sol, que constituem a maior parte das estrelas observáveis na galáxia. São corpos densos em metais, que foram formados pela matéria libertada por supernovas. Cada uma destas estrelas integra componentes originários de dezenas de supernovas. Estas supernovas, por seu lado, já teriam sido estrelas da “População II”, objectos mais pobres em metais, contendo essencialmente hidrogénio e hélio. Estas estrelas são muito antigas, com biliões de anos de idade. Em certo sentido são os pais e os avós de astros como o Sol.
Porém, em 1982, um astrónomo e matemático britânico, Bernard Carr, sugeriu que o cosmos integraria um outro grupo de estrelas ainda mais antigas: a “População III”, os primeiros objectos no universo capazes de produzir fusão nuclear e que deram origem às estrelas da “População II”. Estas estrelas, geradas logo depois do big bang, seriam compostas apenas por hélio e hidrogénio, e sabemos muito pouco sobre elas e que efeitos teriam no universo da altura. Podemos especular porém que seriam extremamente quentes e brilhantes e que libertariam quantidades astronómicas de hélio. Algumas delas, as de mais baixa densidade, poderiam atingir dimensões inimagináveis, sendo maiores, por exemplo, que o nosso sistema solar.
A hipótese de Bernard Carr foi aceite como plausível porque alguma espécie de objectos estelares tiveram que ser responsáveis pela agregação dos gases primordiais que constituíam o universo no seu estágio inicial, embora este processo se tenha desenrolado, comparativamente com a generalidade das dinâmicas cósmicas, de forma muito rápida: como estas estrelas tinham muito pouca densidade, acabaram por colapsar num espaço de não mais que 3 milhões de anos, implodindo em supernovas que foram depois gerar as estrelas da “população II”. É precisamente por terem durado tão pouco tempo, na escala imensa do calendário universal, que sempre se mostraram muito difíceis de detectar. Tudo o que a astronomia podia fazer era concentrar a sua atenção para um específico espectro de frequências de emissão de hélio ionizado, que só se encontra em regiões exóticas do cosmos, como as proximidades de grandes buracos negros ou na vizinhança de estrelas Wolf-Ryet, um tipo heterogéneo e raro de astros com espectros anormais, que apresentam linhas de emissão intensas e largas de hélio e nitrogénio ou hélio, carbono e oxigénio.
Ainda assim e até aqui, todas as observações que numa primeira instância tinham o potencial de revelar estrelas da “População III” revelaram-se inválidas. Mas, dadas as capacidades tecnológicas do James Webb, as expectativas sobre a possibilidade do telescópio orbital poder detectar estas astros anciãos eram elevadas.
Ora, um paper publicado a 8 de Dezembro, mas ainda não sujeito a peer review, sugere que o James Webb conseguiu detectar de facto a presença deste tipo antiquíssimo de estrelas, dada a assinatura de emissões de Hélio dentro dos espectros previstos pela ciência. A imagem, no quadrado de limite branco, foi possível graças ao efeito de magnificação gravitacional do aglomerado de galáxias RXJ2129 (galáxias sublinhadas a magenta).

A descoberta está por verificar e, sendo consistente com o espectro de radiação previsto, não constitui evidência directa, dada a distância monumental a que se encontram os objectos celestiais e a baixa resolução dos dados que nos chegam, mas é o primeiro passo na direcção de identificarmos estes astros ancestrais, que fazem parte do sistema primordial do cosmos.
E um facto permanece: O James Webb Space Telescope é um máquina espantosa, que nos transporta para eras e geografias a que nunca tínhamos tido acesso, numa jornada intrigante e pioneira pelos mais distantes lugares do espaço-tempo.
Anton Petrov disserta sobre o assunto, com o rigor e a prudência que lhe é reconhecida.
Relacionados
10 Abr 26
Cientistas ligados à NASA estão a morrer e a desaparecer misteriosamente.
Um conjunto muito significativo de cientistas e militares ligados à NASA e ao aparelho industrial e militar americano têm desaparecido ou sido mortos desde 2023. E as agências do Estado profundo onde trabalhavam recusam comentar o assunto.
9 Abr 26
Produção de comunicação escrita por inteligência artificial ultrapassou o volume de redacção humana em 2025.
De acordo com os dados partilhados pela ARK Invest, a produção de escrita anual por inteligência artificial (IA) ultrapassou a dos humanos em 2025. Este marco indica que a IA poderá em breve ultrapassar todo o registo escrito da civilização humana até ao final desta década.
7 Abr 26
Companhias de seguros já estão a usar sistemas de IA para negar reembolso sobre sinistros mais rapidamente do que nunca.
As companhias de seguros estão a recorrer à inteligência artificial para a análise de risco e validação de responsabilidade sobre sinistros. A notícia, que é grata para os accionistas das seguradoras, não podia ser pior para os segurados.
27 Mar 26
CIA elaborou planos para “envenenar o céu” com toxinas, segundo documentos que expõem programa secreto de modificação climática.
Documentos outrora ultrassecretos da CIA detalham os planos dos Estados Unidos para controlar o mundo através da manipulação do clima. Uma notícia que não deve surpreender ninguém.
26 Mar 26
Goldman Sachs diz que impacto da inteligência artificial na produtividade e no crescimento económico dos EUA é… ZERO.
Ao contrário do que estamos a ser doutrinados a acreditar, os analistas do banco Goldman Sachs afirmam que, pelo menos até 2025, a inteligência artificial não promoveu o crescimento económico, nem a produtividade das empresas.
25 Mar 26
Epidemiologista classifica as vacinas mRNA Covid como “uma das maiores contaminações cancerígenas da história”.
Nicolas Hulscher, epidemiologista da Fundação McCullough e mestre em Saúde Pública, não tem dúvidas: “centenas de estudos indicam agora que as ‘vacinas’ contra a COVID-19 são uma das maiores contaminações cancerígenas da história”.






