O discurso sobre o Estado da União que Joe Biden proferiu, de forma titubeante, na terça-feira passada perante o Congresso, foi muito semelhante ao que articulou no ano passado, ou seja: repleto do princípio ao fim de mentiras e disparates sem qualquer nexo com a realidade.

O objectivo do palavreado desconexo e falsificador não era apenas o de namorar os republicanos a votar na agenda legislativa dos democratas, mas também e sobretudo o de convencer os americanos de que o estado da União não podia ser melhor, apesar de todas as evidências. Para escamotear a economia destruída pela inflação, e por políticas energéticas tresloucadas, a cultura agredida por radicais, a fronteira do México completamente escancarada e impunemente violada por organizações criminosas, o aumento exponencial dos crimes violentos nos centros urbanos, a população obesa e drogada como nunca, a guerra na Ucrânia sem fim à vista e a perda de influência política e comercial dos Estados Unidos, Biden teria mesmo que fugir da verdade como quem foge de um tsunami, e mentir com quanto dentes tem a sua dentadura postiça.

Segue um apanhado das 15 mais escandalosas patranhas, embora uma análise mais exaustiva pudesse por certo arrancar mais falsidades à retórica de banha da cobra da actual administração americana.

 

1. Chuck Schumer é o Líder da Maioria no Senado.

Antes mesmo do seu discurso começar, o primeiro dislate: Biden saudou Chuck Schumer como “Líder da Minoria do Senado”. Schumer tem sido o líder da maioria da câmara alta do Congresso desde que Biden tomou posse, em 2021.

 

2. Mais Empregos Criados em Dois Anos Que Qualquer Outro Presidente.

Uma das mais monumentais petas do discurso foi esta:

“Na verdade criei, com a ajuda de muitas pessoas nesta sala, 12 milhões de novos empregos. Mais empregos criados em dois anos do que qualquer presidente criou em quatro anos”.

Biden não criou novos postos de trabalho, nem legislou nesse sentido, sequer, como muitas vezes gosta de afirmar. A única razão pela qual a taxa de emprego está a crescer é que milhões de pessoas estão a regressar ao trabalho depois dos burocratas terem encerrado a economia durante meses, em nome do combate à propagação da Covid-19.

 

3. O crescimento mais rápido em 40 anos.

Biden também repetiu a infame mentira de que iniciou

“o crescimento do emprego mais rápido em 40 anos”.

Os registos, contudo, mostram que o emprego entre Maio de 2020 e Janeiro de 2021, sob Trump, cresceu em 12,5 milhões de postos de trabalho. Durante aproximadamente esse mesmo período de tempo, a taxa de desemprego também diminuiu em 8,3 por cento.

Só em Janeiro, os empregos sob Biden caíram em mais de 2,5 milhões.

 

4. A inflação está a ‘descer’.

Outra mentira que Biden repete constantemente e que voltou a proferir é que a inflação nos EUA “está a descer”.

No entanto, dois anos após o presidente ter iniciado a onda despesista dos Democratas, os americanos sofrem com os preços da gasolina ainda bem acima dos 3 dólares por galão, enquanto tentam sobreviver à recessão e pagar 60% mais por uma dúzia de ovos do que em 2021. Biden não é responsável pelo crescimento mais rápido do emprego nas últimas quatro décadas, mas é com certeza culpado pelo facto da inflação ter subido ao ritmo mais rápido em 40 anos, durante o seu mandato.

Biden tentou culpar o infortúnio económico da nação pela pandemia e pela “guerra injusta e brutal na Ucrânia”, mas a verdade é que a curva ascendente da inflação nos EUA coincide exactamente com os dementes ciclos de impressão de moeda, aos triliões por cada pacote legislativo, que negociou com a maioria democrata na Câmara dos Representantes e coordenou com a Reserva Federal, cuja liderança é sua aliada ideológica.

Não se percebe até porque raio é que, mesmo mentindo, se gaba de baixar a inflacção, já que chegou ao ponto de afirmar que o fenómeno era até positivo.

 

5. A Democracia americana enfrentou a 6 de Janeiro a ‘maior ameaça desde a Guerra Civil’.

O Presidente da federação americana deve ter-se esquecido do ataque a Pearl Harbor, e do 11 de Setembro, quando afirmou que o motim de 6 de Janeiro foi a “maior ameaça desde a Guerra Civil”. Caso contrário também faria as esquizofrénicas comparações.

 

Biden fez a mesma afirmação hiperbólica (é dizer pouco) no seu primeiro discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, em Abril do ano passado.

Convém lembrar que os populares que invadiram o congresso a 6 de Janeiro de 2021 não estavam armados e que o acto resultou na morte de uma pessoa, Ashley Babbitt, uma manifestante veterana de guerra que, apesar de estar desarmada e não ter agredido ninguém, foi atingida fatalmente por um agente da polícia de Washington. A ocorrência nunca foi investigada pelo departamento de assuntos internos desta polícia, como certamente seria numa outra situação do género. A comparação com eventos históricos de dimensão transcendente e mortandade extrema não é apenas ridícula. É ofensiva para muitos americanos, à esquerda e à direita do panorama político. E para qualquer pessoa com um mínimo de senso ou, mesmo sem ele, que tenha na vida aberto um livro de história.

 

6. A maior redução do défice na história da América.

Biden quer ficar com o crédito pela redução do défice nacional “em mais de 1,7 triliões de dólares – a maior redução do défice na história americana”, nos seus dois primeiros anos de mandato.

“Sob a anterior administração, o défice americano aumentou quatro anos consecutivos. Devido a esses défices recorde, nenhum presidente acrescentou mais à dívida nacional em quatro anos do que o meu antecessor”.

A verdade é que a despesa federal sob Biden aumentou mais de 10 triliões de dólares desde o seu primeiro mês no cargo. Isto é mais do que qualquer outro presidente fez nos seus dois primeiros anos de mandato na história dos EUA.

 

 

7. Os republicanos estão a tentar cortar os fundos da segurança social.

Biden comprometeu-se a suspender os cortes que são necessários aos chorudos programas de apoio social a imigrantes e minorias, enquanto no Congresso se debate a necessidade de reduzir a dívida soberana ou a inevitabilidade de aumentar ainda mais o seu limite máximo.

“Se tentarem cortar na Segurança Social eu vou detê-los. E se tentarem cortar no Medicare, eu irei detê-los”.

O projecto de lei de reconciliação dos Democratas, aprovado no Verão passado, desviou no entanto quase 300 mil milhões de dólares aos fundos do Medicare para os entregar a companhias de seguros e grupos de interesse ambientalistas, retirando ao congresso força negocial para baixar os preços dos medicamentos.

 

 

8. Os incêndios queimaram uma área do tamanho do Missouri.

O Presidente Biden tentou alertar, de forma algo confusa, que a madeira queimada pelos incêndios florestais ocuparia uma área maior do que a do estado do Missouri.

“Pelo que observei de helicóptero, foi queimada mais madeira do que todo o estado do Missouri”.

 

 

Em 2022, porém, arderam 7,5 milhões de acres, de acordo com o National Interagency Fire Center. As florestas do Missouri abrangem 14 milhões de acres, e o território do estado é de 44,6 milhões de acres.

A observação foi feita feita à margem do texto que a Casa Branca divulgou como a versão oficial do discurso e nem se percebe bem o que o senhor quer dizer com a afirmação (está a falar de a área florestal, metragem cúbica da madeira ou o território total?). Mas seja o que for, é um disparate. Do tamanho do Missouri.

 

9. Trabalhadores das cadeias de fast food assinam acordos de exclusividade com os empregadores.

O recém eleito speaker da Câmara, Kevin McCarthy, foi apanhado pelas câmara a rir-se quando Biden reclamou que os trabalhadores das cadeias de fast food estavam a assinar acordos de exclusividade com os empregadores.

“Um caixa de uma hamburgaria não pode atravessar a cidade e aceitar o mesmo trabalho noutra hamburgaria e ganhar mais uns trocos.”

 


Biden fez a mesma afirmação numa mesa redonda em Julho de 2020. Já na altura, até os fact checkers do seu partido, como o PolitiFact, denunciaram a afirmação como falsa.

 

10. A pandemia é responsável pelo aumento dos crimes.

Biden culpou os confinamentos Covid pela vaga de actividade criminosa na federação, principalmente nas grandes cidades.

“A Covid deixou cicatrizes, como o pico do crime violento em 2020, o primeiro ano da pandemia”.

No entanto, foi a pressa dos Democratas em retirar fundos à polícia, e a febre em despenalizar uma enorme quantidade de crimes por parte de procuradores também filiados no Partido Democrata, que deixou cidades e bairros vulneráveis a criminosos que permaneceram livres para vaguear pelas ruas. Os democratas em Minneapolis, Los Angeles e Nova Iorque cortaram o financiamento da polícia em centenas de milhões de dólares durante a febre da justiça social que tomou conta do país. Mais de uma dúzia de cidades viram como resultado dessas políticas as taxas de homicídios mais elevadas alguma vez reportadas.

De acordo com uma sondagem do Politico do ano passado, 3 em cada 4 americanos atribuíram a onda de crimes à incapacidade da polícia.

 

11. Reaproveitamento de fundos para a investigação do cancro.

Uma das principais prioridades de Biden no discurso de terça-feira foi a sua iniciativa “Cancer Moonshot”, que atribui financiamento à investigação e cuidados contra o cancro.

“Jill e eu reacendemos o “Cancer Moonshot” que o Presidente Obama me pediu para liderar”.

Biden pode ter reiniciado o programa para “dar mais apoio aos pacientes e às famílias”, mas foi a sua legislação de estimação, a Lei de Redução da Inflação, que reduziu os gastos com a investigação do cancro em nove vezes mais do que o seu programa supostamente deveria colocar a favor dos doentes oncológicos.

 

12. A “Reforma” da Imigração irá assegurar a integridade da fronteira com o México.

Biden apontou o seu “novo plano fronteiriço” como prova de que finalmente está a fazer algo sobre os milhões de imigrantes ilegais que atravessaram a fronteira dos Estados Unidos com o México durante os dois anos que o seu mandato já soma.

O inquilino da Casa Branca disse que a sua “reforma abrangente da imigração” iria “consertar” a ameaça à segurança interna da federação em que a fronteira sul se tornou, mas o plano de conceder um estatuto “legal” aos imigrantes ilegais de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, apenas encoraja e favorece os cartéis que traficam drogas e seres humanos para os EUA.

 

13. Assassinatos em massa foram suprimidos com a proibição das armas de assalto.

Biden reivindicou a responsabilidade da proibição federal de armas de assalto, que impediu o comércio de espingardas semi-automáticas para uso civil entre 1994 e 2004, alegando que essa legislação causou uma queda de tiroteios em locais públicos com grande número de vítimas mortais.

“Nos 10 anos em que a proibição era lei, os assassinatos em massa diminuíram. Depois de os republicanos terem deixado expirar a lei, os tiroteios triplicaram.”

Isto é uma mentira fundada num estudo falacioso. Os dados exactos registados durante a proibição mostram que, ao contrário, mais ocorrências deste género foram registadas durante a proibição das armas de fogo. E após a proibição, os tiroteios não aumentaram, como os democratas sugeriram que ia acontecer.

 

14. As leis anti-aborto são extremistas.

Biden caracterizou erradamente a legislação pró-vida em vários estados de governação republicana como “extrema” por limitar as circunstâncias em que o aborto é legal, afirmando:

“Mais de uma dúzia de estados estão a impor proibições extremas ao aborto.”

Na realidade, são as políticas da administração Biden, que permitem o aborto até aos nove meses da gravidez, que são extremas. Sondagens recentes sugerem que 7 em cada 10 americanos apoiam a limitação do aborto aos primeiros três meses de gravidez.

Biden também criticou os republicanos por tentarem passar o que disse ser uma “proibição nacional do aborto”. Mas como observou a organização Susan B. Anthony Pro-Life America, ninguém propôs uma proibição total dos abortos. Alguns sectores conservadores do poder estadual e federal americano trabalharam e trabalham de facto no sentido de fazer convergir a lei do aborto nos EUA com a de outros países civilizados, que reconhecem o aborto para além das 15 semanas de gestação como uma prática bárbara.

 

15. “Estou aqui para ser presidente de todos os americanos”.

Esta foi a mentira mais repugnante e abstrusa e surreal da noite.

Das poucas vezes em que Biden proferiu discursos formais em 2022, foi para demonizar e excluir metade dos americanos. A metade que não votou nele. A difamação e perseguição dos seus opositores políticos e a instrumentalização das agências de segurança e do Departamento de Estado como braços armados da Casa Branca mostram claramente que a sua administração não tem tolerância para com os eleitores conservadores ou os seus valores.

O ContraCultura tem documentado essa actividade de carácter totalitário com frequência. Três exemplos aqui, aqui e aqui. E a afirmação em baixo fala por si.

 

 

Joe Biden pode ficar para a história como o mais decrépito e senil e demente presidente dos EUA. Mas como mentiroso é uma máquina de eficiência impressionante.