Final de Wimbledon. 1980. Bjorn Borg, o extraterrestre, procura fazer história, alcançando cinco títulos consecutivos (só Federer conseguiu tal feito e só Federer tem mais títulos: 8) e o décimo Grand Slam. Tem pela frente a sua nemesis: John McEnroe. Se o sueco é o mais elegante cavalheiro da história do ténis profissional, McEnroe não passa de um fedelho mal criado. Se Borg é frio, disciplinado e consistente; o rebelde de Queens, Nova York, é uma pilha de nervos incontrolável, que oscila loucamente entre o brilhantismo e a peixeirada. Bem-vindo, gentil leitor, ao mais famoso, ao mais belo, ao mais intenso jogo de ténis profissional do século XX.
McEnroe entra a matar no primeiro set, mas Borg, com a habitual firmeza do seu jogo de fundo de court ganha os dois sets seguintes. No quarto set, Borg lidera por dois jogos, tem a oportunidade de fechar a partida por duas vezes mas McEnroe recupera e obriga àquele que é o mais lendário tie-brake da história deste desporto. O sueco, incrivelmente, falha 5 match points e o americano acaba por vencer pelo não menos incrível resultado de 18-16.
Quando toda a gente pensa que o quinto set vai consagrar McEnroe, o Deus de Estocolmo ressuscita e ganha por 8-6, conquistando o almejado quinto título em Wimbledon. E o último, também: em 1981, numa final disputada pelos mesmos heróis, John McEnroe levará a melhor, iniciando o seu mandato como número um do mundo. No fim desse ano, com apenas 26 anos de idade, Bjorn Rune Borg anunciará a sua retirada da alta competição.
Centrado neste combate épico entre dois grandes campeões, Borg Vs McEnroe é um muito competente filme de Janus Metz Pedersen que consegue encaixar os dois relatos biográficos com sensibilidade e bom senso, e conduzir os percursos destas duas personalidades tão distintas a um clímax que retrata com rigor técnico e excelência cinematográfica o que aconteceu naquela gloriosa tarde de Julho.
Até porque esta história tem uma componente idílica e uma moral edificante. McEnroe era, até à final de 1980, um jogador detestado pelos ingleses, que não admitiam que o temperamento do americano transformasse o court londrino num ring para rapazotes sem nível. Isso mudou porém, nesse dia. O nova iorquino mostrou-se, durante toda a partida, no seu melhor comportamento. Não discutiu com os árbitros, não praguejou, não atirou com a raquete na direcção dos apanha-bolas, não provocou o adversário. E jogou o melhor ténis que alguém podia jogar contra o rei Borg. E isto tudo, não porque quisesse agradar aos ingleses, não porque desejasse compactuar com o esquema ético do jogo, não porque estivesse arrependido de ser quem era. McEnroe foi um senhor, naquela célebre tarde, porque respeitou o seu adversário. Porque o seu adversário o respeitou a ele. Porque, na verdade, esta é a história de uma amizade improvável, que dura até aos dias de hoje. E foi essa amizade que redimiu o “Super Brat”. McEnroe perdeu essa final, essa final que foi, se calhar, a mais bonita da sua carreira. Mas no fim, foi aplaudido de pé por toda a gente. E de vilão, passou a herói.
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