A maior história de 2022 não é a guerra na Ucrânia, a crise energética ou a onda inflaccionista.
Por trás destes e doutros eventos de significado e impacto global, como a pandemia, a eleição de Joe Biden para presidente dos EUA ou os acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021 no Capitólio, está outra história, que os liga a todos de uma forma perturbadora. Ainda mais importante do que os efeitos do caos geopolítico e económico é o efeito da censura em massa; sem a livre troca de informação e debate, o público permanece ignorante. E se o público permanecer ignorante, as crises económicas, sanitárias, políticas ou bélicas ganham um novo potencial explosivo.
A percepção pública dos assuntos nacionais e internacionais é um factor determinante para o processamento e a resolução das crises, das catástrofes e dos conflitos. É por isso que os governos e as elites de todo o mundo procuram frequentemente manipular a forma como as pessoas acedem e digerem a informação. A ideia é bastante simples: as massas não devem ter acesso à informação que lhes permita tirar as suas próprias conclusões. Não se pode confiar nos cidadãos para desenvolver os pontos de vista “adequados” porque não somos suficientemente inteligentes para compreender as implicações das decisões governamentais.
Por outras palavras, os protagonistas do poder executivo, legislativo, judicial e mediático nas sociedades ocidentais acreditam exactamente no oposto do que está delineado na maior parte das constituições dos países que dirigem. E darão inúmeras razões, muitas vezes encharcadas de uma hipocrisia e de um cinismo recordistas, para a necessidade de censurar, suprimir, manipular e deturpar os factos de uma dada situação. Mas a verdadeira razão é só uma: a sua visão da sociedade é contrária aos fundamentos da democracia e aos interesses dos cidadãos. E assim, os senhores das altas esferas auto-proclamaram-se guardiões da verdade, para que a sua visão seja concretizada, mesmo contra a realidade dos factos ou a vontade dos povos.
Isto é puro autoritarismo, claro. É matéria-prima de pesadelos distópicos, tiranias ferozes e… revoluções sangrentas. Mas há já muitos anos que uma grande subsecção populacional entrou em desacordo com essas narrativas, até porque são, frequentemente, muito pouco credíveis. Esses são acusados de conspiracionismo e negacionismo “teorias da conspiração” ou “negacionismo”, e as suas fortes e pertinentes suspeitas de que um pequeno número de elitistas-globalistas trabalha em conjunto e em segredo para controlar a percepção pública e governar as sociedades a partir das sombras é rapidamente obliterada por verificadores de factos corruptos, desdenhada pelos activistas da imprensa, ridicularizada pelas turbas woke das redes sociais e ignorada pelos políticos que declaradamente se apresentam como seus inimigos. Afinal de contas, onde está a prova?
É claro que este tipo de argumento só funciona com os intelectualmente preguiçosos ou os mentalmente incapazes. Hoje em dia, a prova de que está de facto em desenvolvimento e implementação um modelo de governação despótica é de tal forma óbvio, que muitos dos protagonistas desse movimento já nem o tentam esconder. Isto embora também existam infelizes que negam intencionalmente o facto. Veja-se, por exemplo, a constante desvalorização das revelações inclusas nos “Twitter Files“.
Os principais meios de comunicação social estão a ignorar a informação que Elon Musk decidiu tornar pública. Parecem estar muito mais interessados nos registos fiscais de Donald Trump, ou nas birras de Cristiano Ronaldo, ou na vitimização de celebridades bilionárias como a insuportável Meghan Markle. Quando são forçados a reconhecer a história, são hostis, qualificando as escandalosas revelações como aborrecidas ou banais. É uma táctica psicológica clássica de narcisistas e criminosos típicos – quando são apanhados, mostram-se indiferentes, como se nem os seus crimes nem as provas que os condenam fossem realmente importantes. Se serem apanhados não os assusta, então os seus crimes não devem ser assim tão terríveis, certo?
Nos Estados Unidos, a ABC, a CBS, a ABC, a CNN e MSNBC dedicaram ao assunto apenas 14 minutos, ao todo. E o termo “Twitter Files” foi apenas usado seis vezes pelos apparatchiks destes centros de transformação da realidade.
E quando o primeiro lote de documentos foi revelado, a atenção dos maistream media, com excepção da Fox News, foi zero:
O conteúdo destes ficheiros é espantoso, mas ao mesmo tempo é verdade que as conclusões não são surpreendentes.
Os ficheiros simplesmente confirmam quase tudo o que comentadores conservadores e libertários têm vindo a dizer há anos; todas aquelas “teorias da conspiração” sobre a censura das vozes dissidentes pelas Big Tech revelaram-se verdadeiras. Inclusivamente, sabemos agora que agências governamentais como o FBI e a CIA, bem como funcionários do Partido Democrata, trabalham e trabalharam com as Big Tech para silenciar e minar os seus opositores políticos. Mesmo quando o alvo da censura era o então Presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os mais altos quadros do Twitter negaram a censura e a redução do alcance mediático das contas de conservadores ou dissidentes das narrativas oficiais. Estavam a mentir. Os dados mostram que as “equipas de resposta estratégica” do Twitter suprimiam até 200 contas por dia. Normalmente, essas contas pertenciam a conservadores proeminentes. Estas equipas operavam em coordenação com funcionários do Partido Democrata e agências federais como o FBI. Em alguns casos, o objectivo era silenciar um determinado indivíduo. Noutros casos, o objectivo era interferir em eleições. Noutros, proteger as indústrias farmacêuticas. Noutros ainda, cercear a informação fundamental para que os utilizadores pudessem ser mais facilmente manipulados sobre a pandemia, sobre a política, sobre a perversidade das entidades governamentais ou as acções nefastas do capitalismo corporativo.
As comunicações internas no Twitter mostram que estas equipas de censores passavam a maior parte do seu tempo a fabricar razões para que certas informações fossem sujeitas ao lápis azul. Por outras palavras, se as regras do Twitter não estavam a ser violadas, haveria que inventar novas regras.
A corrupção do Twitter é uma das maiores histórias deste século, porque fornece a prova de uma cabala. Mostra a mecânica de bastidores de Silicon Valley e expõe uma rede de elitistas e dos seus moços de recados que estavam envolvidos em operações directas para destruir a liberdade de expressão e a liberdade de informação, em nome da supremacia ideológica.
É a definição clássica de fascismo, uma definição que Benito Mussolini reiterou assim:
“O fascismo deveria ser chamado mais propriamente corporativismo porque é a fusão do poder estatal e empresarial”.
E, se este processo totalitário estava a acontecer nos corredores do Twitter, então há poucas dúvidas de que também está a acontecer em empresas como a Google/YouTube, a Apple, o Facebook, o Paypal e etc.
A imprensa mainstream argumenta sobre a relevância em vez da moralidade, porque beneficiaram da censura. É importante lembrar que uma das primeiras medidas que as Big Tech aplicaram depois de suprimir os meios de comunicação alternativos durante a pandemia foi a de amplificar os meios de comunicação social corporativos. Estas empresas estão a debater-se com números de audiência sombrios e lucros decrescentes, porque entretanto milhões de pessoas desertaram desses centros emissores de propaganda. Contudo, desde que promovam a narrativa do establishment, são protegidos e a sua desinformação tem prioridade em todos os motores de busca e nos destaques das redes sociais.
É claro que não estão interessados em divulgar os ficheiros do Twitter e as suas escandalosas conclusões. A verdade deixa sempre os activistas da imprensa contrariados e ofendidos. A sua existência baseia-se na mentira, na censura, na vassalagem aos poderes instituídos e ao capitalismo corporativo. E a única forma que têm de enfrentar a concorrência dos meios de comunicação alternativos é a de clamar por mais censura, junto dos seus camaradas de Silicon Valley.
Sendo uma empresa americana, o Twitter participava numa forma de traição à constituição dos EUA, juntamente com as agências governamentais com as quais cooperava, já que as entidades públicas federais não podem, obviamente, obstruir a liberdade de expressão e de acesso a informação dos cidadãos americanos cumpridores da lei. Não importa se estas acções foram levadas a cabo utilizando empresas privadas como intermediários. Se uma empresa privada está a conspirar com entidades federais para implementar a censura e o policiamento da opinião, então já não é uma empresa privada. É uma associação criminosa.
Por isso e por tudo o resto, esta é uma história enorme, de importância capital, que devia estar a abrir os telejornais todos, a escrever as manchetes todas e a implicar processos judiciais em quantidades alucinantes e a desencadear pelo menos um debate alargado que levasse a reformas na indústria da informação.
Nada disso vai acontecer, claro. Pelo menos enquanto as pessoas continuarem a achar que é normal serem tratadas como crianças. Que não é preocupante a ascensão da ditadura sobre a democracia. Que podem continuar a viver como se nada fosse enquanto o acesso à informação e a liberdade de expressão lhes são obliterados.
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