Pensadas para conviver com as grandes amplitudes térmicas da Península Coreana, as hanok, casas tradicionais cujo conceito de engenharia e arquitectura remonta ao início da dinastia de Joseon (Sec. XIV), são uma pérola da cultura oriental.
Na arquitetura tradicional coreana, o posicionamento da casa em relação ao seu exterior é determinado de acordo com ancestrais princípios de interacção com o meio envolvente, a topografia e a forma como se manifestam as estações do ano, como o princípio Baesanimsu, que sugere que uma casa deve ser construída com uma montanha atrás e um rio à frente. O formato das casas diferem de acordo com a região. No norte, mais frio, as hanoks são construídas como uma praça com um pátio no centro para reter melhor o calor. No sul, possuem formas mais abertas e são construídas em forma de L.
Belas, minimais, confortáveis, luminosas, duradouras, arejadas e aquecidas naturalmente, as hanok são edificadas com materiais porosos como o barro, o papel e a madeira, que contribuem para que as casas funcionem como uma espécie de organismo vivo, que respira, reage ao calor e ao frio, abre e fecha a sua biosfera, num interminável ciclo de inteligente coordenação com as diferentes exigências sazonais em comodidade e praticabilidade modular.
No Ocidente muitas vezes nos perguntamos se o costume asiático de dormir e comer no chão, hábito partilhado por reis e plebeus, será assim tão sensato como isso. Mas o documentário publicado no fim deste texto oferece um entendimento perfeito da razão desse preceito cultural: o chão das hanok não é como o chão das casas tradicionais do Ocidente. É um colchão, é um aquecedor, é uma terapia. A complexa tecnologia ancestral que está por trás do sistema de climatização destas casas é, por si só, um triunfo do engenho humano.
Para além da sábia arquitecura interior, as hanok são construídas para capitalizarem a beleza bucólica dos espaços exteriores, estabelecendo uma relação cenográfica que, sem prejuízo da fronteira entre o público e o privado, liberta a área habitacional para um plano não confinado e interactuante com a coreografia irrepetível de cada dia.
A prolixa cultura coreana impressiona e encanta, na sua multi-dimensionalidade. As suas veneráveis tradições e a sabedoria das suas gentes obrigam à humildade o símio urbano, ocidental e pós-moderno.
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