
Neil Oliver ensaia, neste monólogo emitido no passado sábado, um argumento que não é fácil de sustentar: os povos que são os credores das elites e não o contrário. E como quem não deve não teme, as elites não devem ser receadas. As elites é que devem recear. E, o que é mais, os que conspiram contra os interesses das massas receiam de facto a reacção daqueles que tentam escravizar e daí a crescente intensidade e agressividade das suas manobras de transformação radical das sociedades.
Como método para a ofensiva popular, Oliver recomenda a união, a acção consertada, a desobediência civil. Se operários e pequenos empresários, desempregados e contribuintes, sindicatos e associações civis, reagirem de forma organizada contra os mecanismos e as acções maliciosas e destruidoras dos governos globalistas instituídos no Ocidente; se os cidadãos convergirem na defesa dos seus interesses objectivos, será difícil aos globalistas que ocuparam as posições de dirigismo institucional, económico e mediático a prossecução do seu devastador programa, porque são os cidadãos que de facto detêm o poder político, económico e social.
E, assim, só da cidadania depende um movimento que force os líderes económicos e políticos à restauração do contrato social e ao cumprimento da vontade e dos interesses dos povos.
É verdade que o Ocidente está em falência técnica e que a única solução que as elites encontram para prolongar a agonia é a de espoliar ainda mais os contribuintes. Para depois despender irresponsável e criminosamente os capitais públicos em programas que só prejudicam e lesam esses mesmos contribuintes, como, na actualidade do Reino Unido acontece com os biliões gastos na recepção de imigrantes ilegais ou em fundos climáticos que não têm qualquer relação com a economia britânica.
E enquanto isso, a polícia serve apenas para controlar o pensamento nas redes sociais e já não para combater o crime ou proteger os que cumprem a lei. O serviço nacional de saúde está à beira do colapso, os mecanismos de apoio social aos mais necessitados são ineficazes e estão falidos.
Nos tempos que correm, as massas são constantemente menosprezadas e hostilizadas pelos agentes das altas esferas, mas a história mostra que os povos são muito capazes de conduzir os seus destinos e de escolherem líderes competentes e heróicos.
Revoluções e levantamentos populares ocorrem principalmente quando as pessoas são encostadas à parede da miséria e da destituição. Ocorrem principalmente quando do outro lado da barricada encontramos palácios repletos de marias antonietas. Oliver descreve os incidentes de Glasgow, em 1915, quando os senhorios aumentaram as rendas em 20% num contexto recessivo. As mulheres (porque os homens estavam nas trincheiras da primeira guerra mundial), levantaram uma campanha massiva de não pagamento das rendas, apoiada por brigadas que impediam o despejo daqueles que as não pagavam. Perante o descontentamento e a acção popular, as rendas acabaram por ser congeladas no valor prévio ao aumento concertado pelos senhorios.
Os líderes que temos exigem que nos habituemos a viver com dificuldades enquanto eles habitam em permanentes orgias de luxo, pagas precisamente por aqueles que pouco têm. Isto não é liderança. Isto é a definição de uma relação abusiva. E é preciso reagir como as mulheres escocesas reagiram há um século atrás.
Oliver evoca o célebre explorador irlandês, Sir Ernest Henry Shackleton, que perante o desastre da sua expedição à Antárctica de 1914-1917, soube dar o exemplo de como um líder serve, protege e inspira os liderados, conseguindo superar as dificuldades inimagináveis, incluindo frio extremo, fome e doenças para conduzir os seus homens a casa.
Os líderes que temos hoje seriam os primeiros a deixar os seus homens morrerem gelados. Não lhes devemos nada: nem lealdade, nem obediência, e se continuarmos a acatar os seus ditames e a ser complacentes com a sua agenda de cinzas estaremos apenas a construir a prisão que nos vai enclausurar em definitivo. Estaremos apenas a trabalhar para benefício exclusivo dos que já chafurdam em privilégios e mordomias, a enriquecer com dinheiro e com poder os canalhas que nos prometem a salvação do planeta em troco da condenação da humanidade.
Mas, e outra vez, como nada lhes devemos, nada temos a temer. Se definirmos um rumo e nos apoiarmos mutuamente durante o percurso, atravessaremos juntos este mar de trevas, até encontrar bom porto. Como fez Shackleton e a sua tripulação.
O ContraCultura não subscreve o optimismo de Neil Oliver. Mas reconhece que as suas palavras são consoladoras. Ingénuas, talvez. Impraticáveis, muito provavelmente. Mas consoladoras.
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