A Grã-Bretanha ainda existe, pergunta, por exercício retórico, Neil Oliver.
Para os milhares de imigrantes ilegais que entram todos os dias no território e que são recebidos de braços abertos, alojados e alimentados em infra-estruturas hoteleiras de 4 e 5 estrelas (facto), filantropia que custa ao tesouro britânico cerca de 6.8 milhões de libras por dia, é evidente que sim e que, na sua esmagadora maioria, encontram aquilo que procuram: um país que lhes vai dar, até ver, melhores condições de vida do que aquele de onde são originários.
Mas e quanto aos nativos? Esses ainda vivem na nação onde nasceram? E têm direito a sonhar com uma vida melhor como os alienígenas que dão à costa? E podem expectar que os seus filhos herdem o velho e bom reino que tanto amam?
Entre as casas do parlamento e as esquadras da polícia, das salas do tribunais aos gabinetes da administração pública, nas redacções e nos conselhos de administração não se encontra quem pareça muito interessado em fomentar a prosperidade dos cidadãos,o fortalecimento do país e a protecção da sua identidade cultural e do seu legado histórico.
As entidades pardas que governam os ingleses e as super-estruturas que os deviam proteger não mostram qualquer lealdade para com eles. Têm uma outra agenda que não tem nada que ver com os seus problemas, com os seus interesses ou com a materialização dos seus sonhos. São leais com os “mercados”, com os bancos, com as farmacêuticas, com a impresa mainstream, com o World Economic Forum, com a Ucrânia, com os activistas que despejam sopa por cima de obras de arte, com os ideólogos da moeda digital centralizada, enfim, com uma quantidade muito apreciável de grupos de interesses elitistas e globalistas, mas em relação a tudo o que são as preocupações comezinhas do comum súbdito, ou à perpetuação do legado da civilização britânica, mostram-se visceral e virulentamente alérgicos.
Perante uma nação em plena crise económica e com as famílias e as pequenas e médias empresas sem maneira de pagar os insustentáveis custos energéticos, a prioridade de Rishi Sunak é a de resgatar ao orçamento público 11,6 biliões de libras para “fundos climáticos” e “reparações climáticas” das Nações Unidas e de outras organizações completamente alheias ao tecido económico inglês.
Liz Truss foi literalmente banida por pretender baixar ligeiramente os impostos, mas Rishi, e a sua orquestra de senhores do universo da City londrina, não tem problemas em entregar 5 biliões de libras a Zelenski, enquanto nega um aumento de salários aos enfermeiros do decadente e disfuncional serviço público de saúde.
As elites inglesas odeiam a Inglaterra. E estão convictas que, da Magna Carta à Revolução Industrial, da Revolução de 1688 ao apogeu do Império, não há um vírgula na história desta nação que seja digna de redenção. Os chineses podem ter poluído mais o planeta nos últimos 8 anos que a Grã-Bretanha nos últimos 220 (!), não interessa. Os ingleses podem ter oferecido ao mundo a ideia da monarquia constitucional, o conceito de progresso tecnológico, a invenção da máquina a vapor e do Estado de Direito, não interessa. A culpa não precisa de argumentos históricos, filosóficos, constitucionais ou científicos e os ingleses são culpados de tudo e mais alguma coisa e terão que ser castigados, humilhados, desmoralizados e reduzidos a contribuintes num sistema que, como a elevação de Sunak a primeiro ministro bem ilustra, nem sequer é representativo.
A Grã-Bretanha está ser empobrecida material e imaterialmente. Está a ser roubada, por impostos e impostores. Está a ser espoliada de liberdades e direitos. Está a ser privada de um futuro e de uma identidade por oligarcas corruptos e sedentos de poder, de agenda profundamente distópica, que ninguém controla e ninguém elege. E agora?
Destituído pelas elites das virtudes de um contrato social e sem recurso às garantias que lhe seriam oferecidas por um qualquer documento constitucional (a lei inglesa é fundada no costume e nos precedentes da Common Law), resta a Neil Oliver a evocação da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, redigida em 1776.
Ah, a ironia.
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