Um museu dinamarquês adiantou a um artista 84.000 dólares sobre uma encomenda apenas para que ele os metesse no bolso e entregasse duas telas em branco com o título “Take the Money and Run”.
A roubalheira ocorreu após o Museu de Arte Moderna de Kunsten em Aalborg ter encomendado ao artista dinamarquês Jens Haaning a recriação de dois dos seus trabalhos anteriores: “An Average Danish Annual Income” de 2010 e “An Average Austrian Annual Income”, exibido pela primeira vez em 2007. As peças politicamente carregadas utilizaram notas reais para mostrar os rendimentos médios dos cidadãos da Dinamarca e da Áustria, respectivamente.
As recriações foram programadas para aparecer em “Work it Out”, uma exposição actual sobre o papel dos artistas no mercado de trabalho, de acordo com a ArtNet. Juntamente com uma compensação não revelada para o projecto, a instituição entregou a Haaning 84.000 dólares, e disponibilizou-se para acrescentar mais 7.000 para serem utilizados na prossecução material da obra (já que as anteriores usavam notas reais). Por contrato, este montante teria de ser devolvido ao museu no final da exposição, a 16 de Janeiro de 2022.
Mas os curadores suspeitaram primeiro que algo estava errado ao receberem um e-mail de Haaning que dizia ter alterado o nome do projecto para “Take the Money and Run”. De facto, quando os funcionários do museu abriram a caixa contendo as contribuições de Haaning, descobriram duas telas em branco – enquanto o dinheiro tinha desaparecido por completo.
De forma algo redundante, o ingénuo director do museu, Lasse Andersson, queixou-se à CBS News:
“O dinheiro não foi colocado na obra.”
Entretanto, Haaning afirmou que tinha uma boa razão para que o projecto redundasse em coisa nenhuma:
“A obra consiste em ter-lhes ficado com o dinheiro.”
Em declarações ao programa de rádio dinamarquês “P1 Morgen”, O Nada-Vinci justificou ainda o seu trabalho mega-minimalista nestes termos:
“Não se trata de roubo. É uma quebra de contrato, e a quebra de contrato faz parte da obra”.
Ou por outras palavras: um mestrado na arte do gamanço.
Relacionados
17 Ago 26
Cuidado com o Lobo Mau: Universidade de Cambridge classifica o Capuchinho Vermelho como um “conteúdo para adultos,” que “inclui temas de violência.”
A Universidade de Cambridge decidiu que até o Capuchinho Vermelho é demasiado perigoso para a sensibilidade dos jovens. Mas a verdade é que comparado com esta gente que infecta as academias, o Lobo Mau é completamente inofensivo.
27 Jul 26
Christopher Nolan admite ter adulterado ‘A Odisseia’ por considerar o seu conteúdo “misógino”.
Num ataque de incomensurável pretensão, Christopher Nolan assumiu a costela woke e admitiu ter alterado o final da sua adaptação de 'A Odisseia' porque acreditava que a conclusão original de Homero para a história era demasiado "misógina".
22 Jul 26
Project Hail Mary:
Uma missão espacial para salvar o cinema.
'Project Hail Mary' conta a história de um astronauta equívoco lançado numa missão espacial para salvar o planeta. Nessa viagem, salva também o cinema.
18 Jul 26
A inversão moral da epopeia homérica ou toda a verdade sobre a psyop de Christopher Nolan.
Na circunstância, Christopher Nolan confunde-se com os aristocratas que ocuparam a casa real de Ulisses com o objectivo de usurpar o seu trono. Mas ao contrário destes, que pagaram a traição com a vida, o cineasta é recompensado com fama e fortuna.
4 Jul 26
Arte, fé e ciência: Salvador Dalí, Cristo e o Hipercubo.
Corpus Hypercubus, o enigmático ensaio visual concluído por Salvador Dalí em 1954, é uma das obras mais ambiciosas da história da arte, que procura representar um objecto matemático da quarta dimensão, enquanto estabelece um elo entre a ciência e a fé cristã.
29 Jun 26
Os Espaços Ocultos
de José Manuel Ballester
Há nestas originais e intrigantes especulações de Ballester como que um eclipse da razão. Onde a ontologia é reduzida a geografia, numa síntese escatológica sem drama nem glória. O cosmos, sem o Sapiens, não tem préstimo.






