
O elevador espacial é um velho sonho da humanidade, que data de 1895, quando Konstantin Tsiolkovsky se inspirou na Torre Eiffel para projectar uma estrutura que chegasse ao espaço. O conceito teórico procura uma solução de transporte de pessoas e mercadorias para órbita sem a onerosa necessidade de propulsores, através de um eixo fixo, não muito diferente de um elevador.
A proposta mais comum é da instalação de um cabo, que vai da superfície do planeta até além da órbita geossíncrona. O cabo seria mantido em posição pela força centrífuga resultante da rotação do planeta. A carga seria então colocada em órbita por veículos que subiriam e desceriam pelo cabo. Este tipo de estrutura permitiria que grandes quantidades de carga e pessoal fossem colocados em órbita a uma fração do custo dos métodos tradicionais.
A ideia é excelente e funciona em grande parte de acordo com as leis da física, mas tem problemas de exequibilidade e segurança. Até há poucos anos, não eram conhecidos materiais suficientemente resistentes e leves que pudessem ser usados para a composição do cabo, até porque se calcula que é necessário encontrar um composto que seja duas vezes mais resistente que a grafite, o quartzo ou o diamante. E em várias ordens de grandeza mais leve. Mas mesmo que o material ideal seja descoberto, é preciso manipulá-lo industrialmente de forma a que seja possível instalar um eixo continuo, sólido e estável, com 35.000 quilómetros de altura.
Mais a mais, um elevador deste género apresenta muitos entraves relacionados com a sua integridade operacional. A colisão com satélites e meteoritos será difícil de evitar. A passagem pelo cinturão de Van Halen a velocidades mais baixas que a dos foguetões pode impedir o transporte de seres humanos, dado o alto risco de contaminação radioactiva. Perturbações ao nível do solo, como tremores de terra, podem também ter implicações graves na estabilidade da estrutura. Ainda por cima, um equipamento desta natureza seria invariavelmente um alvo preferencial para actos de sabotagem e terrorismo. Há também questões políticas e económicas a considerar: quem vai pagar o projecto, quem será o proprietário e o gestor, em que território será instalado, etc.
Ainda assim, parece que a ideia já esteve mais longe de ser possível. Novos materiais foram entretanto desenvolvidos, constituídos por estruturas atómicas de grafeno, um cristal de carbono que mostra enorme resistência, estabilidade e durabilidade, acusando uma relação peso/rigidez que é ideal para o projecto e reduzindo muito os custos que tinham sido previamente calculados para a sua execução. Além disso, há já empresas que conseguem fabricar estes materiais em quantidade e extensão significativas.
Estes materiais inovadores não resolvem os outros problemas do conceito, mas também é verdade que se a comunidade científica foi capaz de resolver esta questão, a que apresentava maiores desafios técnicos, será provavelmente capaz de resolver todos os outros, se a teoria ganhar a massa crítica de que necessita para ser levada à práctica.
Anton Petrov, que parece optimista sobre a viabilidade do projecto, disserta sobre o assunto.
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