Apenas dias depois da esquerda ocidental ter lamentado a entrega do poder executivo da Itália à alegada fascista Giorgia Meloni, a PM da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, dirigindo-se aos líderes mundiais reunidos nas Nações Unidas, afirmou que a livre expressão sem restrições era uma das maiores ameaças que a humanidade enfrentava.
No seu discurso, camuflado nos mesmos eufemismos da moda, muito populares entre as elites globalistas – e provavelmente familiares aos déspotas e teocratas presentes na assembleia – ela advertiu que a Internet tinha sido corrompida por maus actores que espalham desinformação e ideologias odiosas. E a única forma de pararmos esta “arma de guerra” é criar um conjunto de “regras” restritivas.
Como Biden e Macron e Boris Johnson e Trudeau e a mafia de Davos, Ardern acha que nenhum direito é absoluto. E que a “desinformação” (ou seja, o discurso que se opõe às narrativas oficiais dos poderes instituídos) está a matar pessoas.
Ardern continuou a argumentar que mesmo “leves alterações” na regulação do discurso podem muitas vezes ser “mal interpretadas” como ataques à liberdade de expressão, que ela afirma valorizar. Mas valoriza mesmo?
Ardern parece ter a estranha convicção de que um código global regulador do discurso, portanto de natureza censória, é uma posição liberal. Mas quem pressiona os líderes mundiais a unirem-se para ditar os contornos de um discurso apropriado não é de todo um liberal. É o contrário disso. E quem mantém que o Estado deve ser a “única fonte de verdade”, como Ardern não se cansou de insistir durante o decorrer da pandemia, é um déspota. A primeira-ministra Neozelandesa só valoriza o livre discurso quando este se coaduna com a sua visão do mundo e as suas crenças, ou seja, não o valoriza de todo.
Seja qual for o bem que a supressão do discurso possa alcançar, mais cedo ou mais tarde cada censor irá expandir a definição de desinformação para atacar os opositores políticos. Uma das formas de o fazer é confundir os limites entre a desinformação genuína e a retórica odiosa – que existe em abundância e sempre existirá – com o debate legítimo. Um bom exemplo de como isto funciona foi apresentado quando os meios de comunicação social americanos, as grandes corporações de Silicon Valley e o FBI trabalharam em conjunto para encerrar as histórias inconvenientes sobre Hunter Biden e o seu pai, de forma a manipular os resultados das eleições presidenciais de 2020.
A própria Ardern oferece um exemplo de como este iliberalismo foi normalizado no pensamento da esquerda. Um discurso não regulamentado, argumenta a primeira-ministra, desestabiliza “as normas que todos nós valorizamos”. Por exemplo: “Como enfrentar as alterações climáticas se as pessoas não acreditam que elas existem?”
Acontece que a expectativa de que as posições políticas serão implementadas sem qualquer debate deve ser, em democracia, nula. Em nações verdadeiramente livres, “combater” as alterações climáticas é uma decisão política que é resolvida no processo democrático. Ou não. Em que nível de retórica sobre as alterações climáticas Ardern vai exigir que acreditemos? Alguns de nós não acreditam que as consequências morais, políticas e económicas do combate às alterações climáticas valham a pena. Alguns de nós não acreditam que haja qualquer “crise climática”. E nunca vão existir suficientes limitações ao discurso online que nos convençam do contrário. E assim sendo, quando a regulamentação baseada em “leves alterações” fracassar, o quadro censório irá evoluir rapidamente para restrições mais pesadas, como sempre acontece historicamente.
E, a propósito de desinformação, o que fará o Ministério da Verdade da ONU sobre as previsões alarmistas dos malthusianos, que anunciaram, constante e erradamente, o apocalipse demográfico durante os últimos 50 anos? Nada, é claro.
Como aprendemos durante a pandemia, e muito antes disso, se quisermos ser rigorosos, os próprios burocratas dos aparelhos de estado são bastante competentes em transmitir informações erróneas. Os governos ocidentais não têm legitimidade moral para ditar a veracidade do discurso, já que mentem descaradamente. E não têm autoridade legal para o fazer, porque a maior parte dos regimes constitucionais das nações ocidentais protegem a livre expressão.
“Como assegurar a defesa dos direitos humanos dos outros se eles forem sujeitos a retórica e ideologia odiosa e perigosa?” pergunta a cínica neozelandesa. É fácil. Basta garantir que todos os verdadeiros e inalienáveis valores liberais – incluindo a liberdade de expressão – sejam respeitados e acessíveis a todos, independentemente das suas convicções políticas, estatuto sócio-económico, género, etnia e etc.
Por vezes é difícil acreditar que temos de debater outra vez estas questões. Que temos que voltar a lutar contra a pulsão autoritária dos regimes. Racionalizar a censura estatal como meio de proteger as pessoas da perigosa “desinformação” tem sido o estratagema de todos os regimes tirânicos. Quem ainda pensa que a restrição à liberdade de expressão é uma boa ideia, pensa como um tirano. E, quer se veja dessa maneira ou não, faz parte do elenco dos maus da fita, no dramático palco da história da humanidade.
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