“Enquanto a mãe Ignorância viver, não é seguro que a sua filha Ciência especule sobre as causas ocultas da realidade.”
Johannes Kepler
As linhas que se seguem poderão parecer ao leitor um produto pessimista e cínico, escrito por alguém bastante cínico e pessimista. Mas ao escriba deve ser concedida alguma tolerância, porque trata este artigo do estado em que o conhecimento do cosmos se encontra, na segunda década do Século XXI e esse estado é um pouco deprimente. Mas atenção: o crítico leitor vai acabar por encontrar mais pessimismo, vai acabar por encontrar mais cinismo, em certos cientistas e em certos filósofos, do que no humilde redactor que os trás à conversa.
É claro que, acreditando na análise de Jim Holt, o infame filósofo americano autor de “Why Does the World Exist?”, este texto não vale a fonte de letra em que está escrito porque não há nenhuma razão especial, nenhum significado transcendente, nenhum paradigma científico que possa explicar a existência das coisas. As coisas existem e é tudo. O universo nem sequer é uma realidade elegante: é constituído sobretudo por vácuo e sempre que a rara matéria se manifesta, manifesta-se em desordem, em caos, em enigma, em charada, em fealdade, em sofrimento. Cientistas, filósofos e outros perguntadores podem arrumar as botas: a realidade é um fenómeno aleatório, banal, indecifrável e desinteressante, e tudo o que o ser humano pode fazer é resignar-se.
Percebe-se em certa medida esta espécie de rendição de Jim Holt, mas não tem que se concordar com ela. Até porque, mesmo que a realidade seja indecifrável para um ser humano, num determinado contexto epistemológico, não quer dizer que a cifra seja inexistente ou epistemologicamente impossível. E mesmo que o cosmos seja um produto desinteressante para Jim Holt, não quer dizer que seja desinteressante para o resto dos mortais.
Uma outra concepção cosmogónica muito popular, acoplada à força à Teoria das Cordas, é a do Multiverso. Físicos como Lawrence Krauss propõem a existência de uma plataforma primordial, niilista, não consumidora de energia, que concebe universos aleatórios sem dificuldade nenhuma e em quantidade infindável. O nosso universo é apenas mais um de um conjunto infinito de universos com propriedades diferentes e leis distintas. Num sistema assim, qualquer universo que o leitor queira imaginar não é só possível: é provável. Isto é de tal forma disparatado, é de tal forma impossível de ser comprovado com as ferramentas que temos ao nosso dispor, que não contribui em nada para o entendimento do cosmos. Nem para o entendimento do Homem.
Teorias como a de Holt e a de Krauss proliferam hoje em dia por boas razões: uma teoria unificadora das realidades celestes e quânticas mostra-se cada vez mais complicada de conseguir, muito por causa de todos os conceitos incompatíveis que tem necessariamente de compatibilizar.

O exemplo mais eloquente desta espécie de falência técnica é a Teoria das Cordas, aquela que está mais perto de se poder considerar uma Teoria de Tudo no panorama da física contemporânea.
A teoria sustenta que os gravitões assim como os electrões, os fotões e a maior parte das partículas sub-atómicas, não são partículas pontuais, mas filamentos de energia imperceptivelmente minúsculos, ou “cordas”, que vibram de maneiras diferentes e que é em função dessa vibração que acontecem as trocas de energia no universo, tanto ao nível quântico como newtoniano. O interesse pela Teoria das Cordas aumentou em meados da década de 1980, quando os físicos perceberam que ela possibilitava descrições matematicamente consistentes da gravidade quântica. Mas as cinco versões conhecidas desta tese eram todas perturbadas por inconsistências de cálculo. Os teóricos poderiam calcular o que acontece quando duas cordas gravitacionais colidem a altas velocidades, mas não quando há uma confluência de gravitões suficientemente extremos para formar um buraco negro., por exemplo.
Em 1995, o físico Edward Witten encontrou várias indicações de que estas teorias se encaixavam numa teoria coerente não perturbada, que ele apelidou de Teoria M. A teoria M é na verdade uma batota: parece-se com cada uma das teorias das cordas em diferentes contextos físicos, mas não tem limites sobre o seu regime de validade, um requisito importante – e lógico – para uma teoria unificadora minimamente credível. Na verdade, a Teoria M deixou mais perguntas que respostas, até porque o que realmente acontece é que não temos maneira de a validar, no sentido científico do termo, já que as escalas que estabelece, tanto no espectro sub-atómico como no espectro cósmico são inalcançáveis através dos recursos tecnológicos da observação humana. A Teoria M não poderia ser provada nem que tivéssemos ao nosso dispor aceleradores de partículas cem mil vezes mais potentes do que o LHC, que é o maior e mais poderoso actualmente em operação.
A própria existência de buracos negros, fundamental para a física Einsteiniana e – por consequência – para validar o pensamento de Stephen Hawking ou, para todos os efeitos, de Edward Witten e cerca de 90% dos físicos em actividade, é constantemente colocada em causa e basta ler este artigo aqui ou este aqui para perceber que poucas certezas temos sobre este assunto. Sempre que leres num jornal, caro leitor, que um buraco negro foi observado, é porque a notícia foi escrita por alguém que não sabe o que é um buraco negro:
“Frequently one sees science press headlines describing observations of black holes: the discovery of a black hole at the galactic center or the discovery of a pair of orbiting super massive black holes in merging galaxies or the aLIGO detection of gravitational waves created in the spin-down merger of a pair of binary black holes. These days, there are so many astrophysical observations on Earth and in space that are attributed to black holes that questioning their existence seems rather absurd.
However, it is important to point out that a black hole’s event horizon, the region where time comes to a complete halt, has never been observed. Further, Hawking radiation, the predicted emission of thermal photons arising from quantum effects at the event horizon, has never been detected. The fact is that the term “black hole” is commonly used to indicate any collapsed stellar object that is more massive than a neutron star. Most of the “black hole” observations that we hear about come from emissions from the accretion discs of such massive compact objects, which may or may not actually be black holes.”
John G. Crammer . Do Black Holes Really Exist?
E sim, as últimas imagens que a imprensa vendeu ao mundo como representações de buracos negros são comprovadamente fraudulentas. O Contracultura denunciará essa fraude, em futuros artigos.
O problema epistemológico que se levanta, em consequência destas dificuldades em conseguir uma teoria unificadora, relaciona-se directamente com os limites da evidência científica, e das escalas materiais e temporais a que a observação humana tem acesso.

Chegados a este ponto de incerteza, os cientistas, principalmente os físicos, entraram em puro desespero de causa. No século XX, os astrofísicos adoravam esta tirada:
“Um físico precisa de um filósofo como um pássaro precisa de um ornitólogo”.
No Século XXI já não parecem assim tão arrogantes: ainda recentemente, num célebre encontro em Munique, convidaram filósofos mais ou menos complacentes com a causa da sua ignorância para responderem a esta questão: o facto de uma teoria científica não poder ser provada pela ciência retira-lhe validade? A esta pergunta de natureza eminentemente religiosa, alguns filósofos responderam pressurosamente que sim, que é possível sim senhor. E nem é preciso de dizer mais nada sobre o triste evento de Munique.
Convenhamos que esta abordagem escatológica e desesperançada não faz grande sentido. Em primeiro lugar porque se é óbvio que as ciências relativas ao estudo do cosmos estão mergulhadas numa crise existencial sem precedentes, existem outras disciplinas que estão muito bem de saúde: há avanços grandes nos ramos da biologia que integram a realidade sub-atómica, as neuro ciências estão pujantes e registam-se passos de gigante nas áreas da computação quântica, só para dar três exemplos.
O beco sem saída aparente em que se enfiou a astro-física é sobretudo o resultado de um posicionamento ideológico e militantemente ateísta dos físicos mais mediáticos e influentes. Se homens como Stephen Hawking, Degrasse Tyson e Lawrence Krauss se dedicassem mais à ciência e menos à política e à religião, talvez as coisas tivessem entretanto corrido melhor. Os dogmas nunca ajudam e há pouca gente mais dogmática do que os contemporâneos catedráticos da física cósmica.
Por outro lado, é evidente também que não se está a dar o devido valor às possibilidades da matemática. A história da ciência ensina-nos que o cálculo matemático precede a observação do fenómeno sobre o qual incide. Einstein acertou em muitos dos cálculos antes que os astrónomos percebessem que essas contas estavam certas. E a capacidade que a matemática tem para criar novas linguagens e novos utensílios de conhecimento; a manifesta aptidão que demonstra para transcender o âmbito daquilo que é conhecido e desbravar novos territórios sem necessitar de actos de fé, ou justificações filosóficas, deverá ser capitalizada.

Um bom exemplo dessa louvável iniciativa é o de Cohl Fuhrey, a professora de Cambridge que está a abrir novos caminhos através da exploração dos octoniões, números que expressam realidades de oito dimensões. Estes números têm propriedades distintas da álgebra convencional, e por isso permitem uma navegação diferente pelos mistérios do cosmos. O trabalho de Fuhrey pode contribuir decisivamente para o estabelecimento de elos de compatibilidade entre conceitos que até aqui têm permanecido incompatíveis ou incomensuráveis, aproximando as axiomas quânticos dos paradigmas newtonianos e estabelecendo vias verdes para uma teoria unificadora que seja simultaneamente sensata e demonstrável.
Por outro lado, parece que está a ser olvidado o facto de que os limites da observação da realidade natural podem ser – e são de facto – ultrapassados com frequência. No mapa “The Ends of Evidence” colocado em cima, afirma-se graficamente que nada pode ser observado antes da célebre imagem do Ruído Cósmico de Fundo. Porém, em 2018, um grupo de investigadores da Universidade de Cornell, liderado por Daniel An, publicou um paper que procura demonstrar a possibilidade de detecção de radiação cósmica provinda de realidades cronologicamente anteriores ao nosso universo. Certa ou errada, esta surpreendente conclusão conduz-nos bem para lá do campo de observação possível assinalado no mapa.
A história da ciência humana é uma longa rábula de erros e equívocos. De trabalhos forçados e esforçados. De pequenas e grandes misérias, de falhanços e de recuos. Mas é também um percurso glorioso no sentido do desconhecido que atribui uma certa nobreza, um certo encanto, ao animal Sapiens. Não podemos simplesmente desistir. Não podemos simplesmente substituir a física pela filosofia da física. Não podemos reduzir esta odisseia no sentido do absoluto a um caminho de cabras, marcado apenas por valores relativos.
A ciência humana é cúmplice, no Ocidente, do assassinato do Deus judaico-cristão em nome da “verdade dos factos”. Não pode agora abdicar, irresponsavelmente, dessa missão ao mesmo tempo sacrílega e sagrada. Até porque sem a ciência nada resta ao homem que foi condicionado a abandonar o seu aparelho metafísico. Será agora tarde demais para o aconselhar a ressuscitar Jeová.
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